OPINIÃO

'Rocky Balboa' volta às telonas e uma geração (re)nasce com ele

20/01/2016 10:54 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Divulgação

Após o prêmio como melhor ator coadjuvante no Globo de Ouro pela atuação em Creed, nascido para lutar, recebemos com alegria na última semana a notícia que Sylvester Stallone foi indicado na mesma categoria no Oscar 2016.

Quase 40 anos depois, ele volta à cerimônia da premiação mais importante do cinema - em 1977 foi indicado a melhor ator por Rocky, um lutador.

Em 1976, ano de estreia de Rocky, Stallone ainda era um rosto desconhecido. E, mesmo sem levar a estatueta na categoria, certamente sentia-se um vitorioso pelo simples fato de estar ali. Afinal, ele não podia esperar tanta repercussão após todas as dificuldades que enfrentou para rodar o primeiro longa.

Como se sabe, o próprio Stallone roteirizou Rocky, escrevendo o filme em três dias, pouco tempo depois de assistir uma luta entre Muhammad Ali contra Chuck Wepner. Wepner perdeu a luta, mas resistiu bravamente durante 15 rounds e, em um momento, chegou a derrubar o imbatível Ali.

O ator tentou vender seu filme e logo despertou interesse de produtores, que ofereceram U$S350 mil pelo roteiro, mas Stallone disse que só venderia caso fosse o protagonista do filme.

Inicialmente, bateram o pé porque queriam alguém com mais "nome"; no entanto, como não houve abertura pelo lado do ator, acabaram cedendo e isso fez reduzir o orçamento do projeto pela metade. Entre outros empecilhos, o filme foi um sucesso conquistando os Oscar de melhor filme, melhor direção e melhor edição. Uma luta de boxe deixou Stallone impressionado e fato é que foi esta luta que foi o estopim para que a franquia Rocky seguisse por seis filmes e conquistasse uma legião de fãs.

A nova e a velha geração

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Stallone e Michael B. Jordan em cena do filme Creed - Nascido para Lutar

Tenho 24 anos. Não sei bem ao certo qual foi a primeira vez que vi Rocky. Influenciada pelo meu irmão 14 anos mais velho, assisti aos filmes, quando ele pegava na locadora, e anos depois, na TV. Virei fã. Balboa era um personagem carismático, o famoso "gente como a gente" que, desacreditado, no fim ainda acreditava no seu sonho porque ela aquilo que amava e só o que sabia fazer. E, mesmo considerado velho, alcançou seu objetivo tornando-se uma lenda do boxe.

Mas, o sucesso nunca veio fácil para Rocky. Ele treinou - e muito - para enfrentar seus adversários. E este é o ponto mais atraente nos filmes da franquia, pelo menos para mim. Claro, cada fã tem seu ponto preferido - e muitos vão falar das lutas, obviamente -, mas quando Rocky acordava por volta das 4h, tomava suas cinco gemas de ovo, colocava aquele moletom cinza velho e saía trotando "devargazinho" pelas ruas da Filadélfia ao som daquela trilha sonora clássica, eu sempre me ajeitava na cadeira e dizia mentalmente "agora vai".

As lutas, ápice dos filmes (com exceção ao sexto), sem dúvida são quase que indescritíveis para os fãs. Não há como não torcer para Balboa. E, mesmo sabendo o resultado das lutas após asistir tantas e tantas vezes, eu sempre me pego falando "vai, Rocky. Vai, bate nele!". Sofro com os diversos socos que toma na costela e no rosto - mas ninguém manda ele deixar a guarda aberta daquele jeito, né? Queria ter visto essas lutas no cinema. Não vi. No último filme da série, em 2006, não há essa magia. Mas, em 2014, os boatos de que haveria um novo Rocky já "pipocavam" na internet.

Foi no início de 2015 que fomos apresentados a Creed, nascido para lutar, filme derivado da franquia Rocky. Não era um Rocky VII, mas Rocky estaria lá e lógico que os ânimos dos fãs afloraram imediatamente.

Comigo não foi diferente.

No último sábado fui ao cinema sem saber muito bem o que podia encontrar. As críticas elogiavam o filme e enalteciam Stallone. Mas nada como ver com seus próprios olhos. Sabia que o Rocky lutador de boxe não estaria lá. Nós seríamos apresentados a um novo Rocky. E fomos apresentados a um lado humano de Balboa, que, ao longo dos filmes anteriores, apareciam vez ou outra. Desta vez, o tempo todo.

Diversas faixas etárias estavam presentes na sala. A velha geração - que estava ali por Rocky - e a nova geração - que já ouviu falar de Balboa e achou que aquele era um bom filme para curtir ao lado de uma companhia legal em um sábado à tarde. Havia duas motivações naquela sala de cinema. Mas ambas, assim como eu, não sabiam o que aconteceria depois de sermos apresentados a Adonis Creed (Michael B. Jordan).

Nenhum sentimento ficou de fora durante as pouco mais duas horas da película. Tinha drama e também humor. Esse equilíbrio foi ótimo porque, algumas vezes, me segurei para lágrimas não escaparem.

Mas em três momentos não foi possível. Peço licença ao pequeno spoiler (que não compromete, mas se não tiver a fim é só ir para o próximo parágrafo). Em determinado momento, Rocky está treinando Adonis e os dois competem para ver quem fica mais tempo batendo em um pushing ball (equipamento de treino para dar mais agilidade das mãos e aumentar potência dos golpes). Eu vi o antigo Rocky ali. Mas, me emocionei com Creed também, quando este também sai correndo pelas ruas da Filadélfia. O terceiro eu deixo em off. Vá ao cinema e você saberá qual é porque irá se emocionar também, sendo da nova ou velha geração.

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Stallone também foi indicado ao Globo de Ouro há 39 anos, mas naquele ano não foi premiado

Ouvi pessoas "fungando" ao final do filme. E isso transcende qualquer geração. E faz com que a nova geração queira conhecer quem foi Rocky Balboa lutador, no ringue.

Não preciso falar que Stallone está incrível no papel. Ele faz a gente rir. Ele faz a gente chorar. Este ano, o Oscar pode vir para premiar não só sua atuação em Creed, mas para coroar tudo o que Stallone fez por e desse personagem em toda a franquia.

Se para escrever o primeiro filme Stallone ficou impressionado com uma luta, foram as lutas dele que fizeram várias e várias pessoas irem ao cinema para vê-lo novamente, mas desta vez fora das quatro cordas. Outras tantas pessoas fazem o caminho inverso.

Uma geração (re)nasce.

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