OPINIÃO

Interwebz: A newsletter que surgiu após uma viagem à São Francisco

13/04/2015 12:35 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:22 -02

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Uma das partes mais divertidas de viajar, na minha opinião, é entender como outra cultura pode funcionar de forma tão diferente que a nossa.

Em São Francisco (CA), Estados Unidos, aprendi que o jeito que o brasileiro vê a "falha" é completamente diferente de como o americano lida com ela.

Já tinha ouvido isso de muita gente, em diversos contextos, mas nunca tinha visto o brilho nos olhos de quem fala: falhei, e foi ótimo. Falhei, e foi a melhor coisa da minha vida.

"Não dar certo", na área do Vale do Silício, é o que acontece quando você tem coragem o suficiente para tentar. E quando você tenta, você tem duas ótimas saídas: pode ser super bem sucedido, ou pode dar tudo errado. No entanto, na cultura "fazedora" de São Francisco, independente do resultado, vale a pena.

Isso porque toda tentativa é uma experiência. E lá me pareceu que a visão de que se aprende tentando é muito mais real do que em terras tupiniquins. Aqui, quando alguém fala que algo não deu certo, consternamos o olhar, balbuciamos um "sinto muito", e parece que tudo é um grande funeral da ideia que não deu certo. Quando uma moça me disse com brilho nos olhos ter feito parte de uma startup que não durou nem um ano (!), meu lado brasileiro não conseguia entender o motivo da felicidade dela.

Ela estava radiante porque teve a oportunidade de experimentar, tentar, aprender. E quando viu que não dava mais, que a empresa não tinha mais por onde ir, ela entendeu que a ideia havia falido, e seguiu em frente.

Foi esse espírito do "errar faz bem" que eu quis trazer de volta para o Brasil. Voltei me instigando a pensar em coisas que eu poderia fazer, como eu poderia testar, de que meios eu conseguiria viabilizar minimamente uma ideia e "botar ela na rua". O máximo que vai acontecer é dar tudo errado, e eu ganho alguns pontinhos de senioridade.

E foi assim que surgiu a Interwebz, uma newsletter semanal que lancei no início deste abril.

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A ideia é entregar ao assinante os melhores links da última semana, contextualizados, integrados, com seus devidos desenvolvimentos e críticas, cheios de links para que eles mesmos possam aprofundar o conhecimento sobre o que desejarem.

É basicamente uma grande seleção, uma curadoria cuidadosa, leve e divertida sobre assuntos do mundo digital, que tangem tecnologia, publicidade, comportamento digital, cultura de internet, memes, inovações e debates atuais. Tudo isso entregue uma vez por semana, com mais algumas vantagens, de acordo com a assinatura do Patreon escolhida pelo patrono.

O valor do tentar

Certa vez, em uma apresentação durante o festival El Ojo ("o olho", em português), em Buenos Aires, Chacho Puebla contou sobre a importância de errar, frisando a parte mais difícil: dar o primeiro passo, mesmo sabendo que há a possibilidade de um tombo.

"Saber que vai falhar é mais fácil, mas não menos doloroso" - Chacho Puebla, El Ojo 2014

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//Foto: RedactoresP

Me lembrou muito aquela primeira pedalada de bicicleta sem a rodinha: a vontade é quase tão grande quanto o medo de cair - e a chance de cair parece sempre muito maior do que a de continuar conseguindo se equilibrar. De onde vinha aquela gana de tentar de novo, mesmo com o joelho ralado?

É um pouco assim o processo de "inventar uma aventura". Assim que pisei no Brasil, toda a empolgação sobre o que eu ia fazer foi se esvaindo. E se eu falhar? Pior, e se não apenas não der certo, como der errado demais, será que isso vai afetar a minha imagem profissional?

Toda a confiança foi aos poucos me fazendo adiar o lançamento, adiar o início. Foi preciso lembrar por que eu estava tendo todas essas ideias e testando esse projeto - tentar é aprender algo novo! - e me dar prazos para as atividades. Programei uma data máxima para apresentar o projeto ao público, busquei apoio de beta-testers de um protótipo da newsletter, e finalmente apertei o "publicar" da campanha no Patreon.

É preciso dar a primeira pedalada. Dar o primeiro impulso. Saber que se pode falhar é bom, mas não significa que não vai dar medo de dar tudo errado, e pensar que talvez fosse melhor ficar parado no seu lugar quentinho. O segredo é ir com medo mesmo. O máximo que vai acontecer é tomar um tombo e ter histórias para contar.

Fazer inspira.

Quem se interessar pode conhecer um pouquinho mais do projeto da newsletter Interwebz no vídeo abaixo, e se tornar um patrono e assinante da Interwebz através do Patreon.

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