OPINIÃO

Futebol como ferramenta para o desenvolvimento social

18/07/2014 10:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02
Divulgação/streetfootballworld

A Copa do Mundo chegou ao fim. Entre conquistas, frustrações, protestos, celebrações e expectativas, o Brasil viveu um mês de catarses. Ficou evidente a força do esporte no país e a capacidade de atrair pessoas, empresas e organizações em torno do futebol.

Mas, além dos gols festejados e lamentados, além dos legados positivos e negativos, que tipos de aprendizados podemos tirar dessas semanas (ou meses!) em que o futebol foi o principal assunto de muitas rodas de conversas e mídias? As críticas ao governo e às instituições privadas dominantes estiveram presentes apontando as falhas administrativas e financeiras, mas claramente existem razões para comemorar e para ter esperanças de que os grandes eventos podem desencadear boas mudanças. Afinal, alguém discorda de que vimos muito fair play, demonstração de companheirismo, de liderança colaborativa e empatia? E esses são valores importantes para a formação de jovens socialmente conscientes de seus papeis como cidadãos ativos, capazes de agir e inspirar suas comunidades.

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Algumas organizações sociais e sem fins lucrativos, por exemplo, há anos procuram conectar a paixão pelo esporte à busca por transformações sociais verdadeiras. Programas que focam no esporte para o desenvolvimento social entenderam que o futebol gera esperanças, promove valores positivos que têm impacto imediato e perene, ensina disciplina, trabalho em equipe e permite que as pessoas vejam que sucesso e fracasso são fundamentais para o crescimento e para uma vida mais completa.

Uma dessas organizações é a streetfootballworld (sfw), do empreendedor social da Ashoka Jürgen Griesbeck. Nascida em 2002, a streetfootballworld é referência na área de desenvolvimento social por meio do futebol, trabalhando com mais de 80 organizações em cerca de 50 países, entre eles o Brasil. A morte de Andrés Escobar, em Medellín - Colômbia levou Jürgen a questionar sobre como o futebol, um jogo baseado na justiça e no espírito de equipe, poderia gerar tamanha violência. E, por extensão, como a paixão proporcionada por esse esporte poderia ser usada para promover boas ações.

Este ano, a sfw realizou uma série de atividades antes, durante e após o Mundial, que trabalharam a igualdade de gênero, o respeito a diferentes grupos sociais e econômicos, o direito ao esporte seguro e à formação cidadã. Além disso, promoveram jogos de futebol utilizando a metodologia do Futebol3, trazida para o Brasil em 2005 por membros de sua rede. Essa metodologia é composta por uma partida de três tempos. Na primeira, são acordadas as regras do jogo, na segunda há o jogo em si, e na terceira os jogadores discutem se as regras foram cumpridas, o que converte aquele momento em um grande espaço de discussão, que passa por questões como cidadania, discriminação e saúde.

Nas últimas semanas, vimos grandes espetáculos dentro dos campos. Não pensemos que a festa acabou, mas que foi uma catalisadora para um espetáculo ainda maior: aquele que formará crianças e jovens mais empáticos, capazes de gerar transformações em suas comunidades e provocar mudanças sociais que vão além de quatro semanas. Ou quatro anos.

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