OPINIÃO

COP21: As duas próximas semanas são cruciais para nossos netos - incluindo os meus

30/11/2015 20:33 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02
BERTRAND GUAY via Getty Images
Prince Charles of Wales delivers a speech during the opening of the 21st session of the Conference of the Parties to the United Nations Framework Convention on Climate Change (COP21 / CMP11), also known as Paris 2015, on November 30, 2015 at Le Bourget, on the outskirts of the French capital Paris, where 150 world leaders are meeting under heightened security. AFP PHOTO / BERTRAND GUAY / AFP / BERTRAND GUAY (Photo credit should read BERTRAND GUAY/AFP/Getty Images)

Leia abaixo o discurso feito por Vossa Majestade Real o Príncipe de Gales no lançamento da COP21 sobre as Mudanças Climáticas, em Paris, com a gentil permissão de Sua Alteza Real.

Ministro Pulgar, ministro Fabius, Madame Figueres, vossas Excelências, senhoras e senhores, estou enormemente tocado com o convite do presidente [François] Hollande para dizer algumas poucas palavras no início desta conferência crucialmente importante.

Permitam-me começar expressando meu profundo horror diante do que aconteceu em Paris há duas semanas, além da minha imensa simpatia pelas famílias enlutadas e as pessoas queridas daqueles cujas vidas foram brutalmente aniquiladas. Meu coração está com o corajoso povo francês nesta hora de sofrimento.

Senhoras e senhores, como o secretário-executivo acaba de dizer, raras vezes na história humana tantas pessoas de todo o mundo depositaram sua confiança em tão poucos. Vossas deliberações nas próximas duas semanas vão decidir o destino não somente dos que estão vivos hoje, mas também de gerações ainda não-nascidas.

Portanto, os insto a pensar em seus netos, como penso nos meus, e nos bilhões de pessoas sem voz; aqueles para quem a esperança é a mais rara das sensações, aqueles para quem uma vida segura é uma perspectiva distante.

Acima de tudo, os insto a considerar as necessidades da geração mais jovem, porque nenhum de nós tem o direito de presumir que "eles devem abrir mão de seu amanhã pelo nosso hoje".

Em um planeta cada vez mais cheio, a humanidade está diante de várias ameaças - mas nenhuma delas é maior que a mudança climática. Ela magnifica todas os riscos e tensões da nossa existência.

Ameaça nossa capacidade de nos alimentar; de nos mantermos saudáveis e livres do clima extremo; de administrarmos os recursos naturais que sustentam nossas economias; e de evitar o desastre humanitário das migrações em massa e dos conflitos.

Causando danos ao nosso clima, nos tornamos arquitetos de nossa própria destruição. Embora o planeta possa sobreviver à queima da terra e ao aumento do nível da água, a raça humana não será capaz do mesmo.

O absurdo é que sabemos exatamente o que precisa ser feito; sabemos que não podemos nos adaptar de forma suficiente para continuar vivendo da mesma maneira, assim como não podemos criar uma nova atmosfera.

Para evitar catástrofes, temos de restringir a mudança climática a menos de dois graus, o que exige uma redução dramática das emissões de carbono.

Isso é possível. Temos o conhecimento, as ferramentas e o dinheiro - somente 1,7% do consumo global anual seria necessário para nos colocar no caminho correto do baixo carbono até 2030.

Só nos faltam a vontade e as estruturas para usá-los de forma sábia, consistente e em escala global.

Juntos, os governos gastam anualmente mais de um trilhão de dólares em subsídios para energia, agricultura e pesca.

Imagine o que poderia ser feito se essas vultosas quantias fossem dedicadas a energia, agricultura e pesca sustentáveis, em vez de combustíveis fósseis, desflorestamento e superexploração dos mares.

É o preço que temos de pagar pela nossa apólice de seguro coletiva e de longo prazo. Ouvimos o tempo todo que nossas ações têm de se basear em "ciência de boa qualidade". Temos essa ciência.

Por que, então, ela aparentemente não é aplicável quando se trata da mudança climática?

Também vimos a rapidez com que inovações e investimentos podem impulsionar as tecnologias de baixo carbono e estamos aprendendo a desenvolver economias circulares, nas quais tudo o que antes considerávamos lixo se torna matéria prima para o crescimento futuro.

Portanto, suplico que em busca dos interesses nacionais os senhores não percam de vista as necessidades internacionais.

Em 2009, logo antes da COP15, em Copenhague, lembro de tentar indicar que as melhores projeções científicas nos davam menos de cem meses para mudar nosso comportamento antes de atingirmos o ponto de virada de uma mudança climática catastrófica, depois do qual não há como se recuperar.

Chegamos a tal ponto de inércia coletiva que ignoramos um alerta tão claro?

Oitenta desses cem meses já se passaram, portanto precisamos agir já. Estamos diante de outros eventos e crises que podem ser vistos como ameaças maiores e mais imediatas.

Mas na realidade muitas já são ou serão cada vez mais relacionadas aos crescentes efeitos da mudança climática.

A Natureza chora com o tratamento que damos a Ela.

Se o planeta fosse um paciente, teria sido tratado há muito tempo.

Os senhores têm o poder de mantê-la viva por aparelhos, e os procedimentos de emergência têm de começar imediatamente, sem mais procrastinação!

Hoje, depois de um intervalo longo demais, os senhores estão todos aqui para nos colocar no caminho de um futuro mais são.

Se, enfim, tiver chegado o momento de tomar os tão esperados passos para resgatar nosso planeta e nossos pares de uma catástrofe iminente, busquemos esse objetivo vital num espírito de colaboração iluminada e humana.

Senhoras e senhores, lhes desejo sorte em vossas empreitadas, e rezarei pelo vosso sucesso.

Este post é parte de uma série produzida pelo The Huffington Post, em conjunto com a 21ª Conferência das Partes (COP21) em Paris (de 30 de novembro a 11 de dezembro), também conhecida como a conferência da mudança do clima. A série vai destacar as questões ligadas à mudança climática e a conferência em si. Para ver toda a série, clique aqui.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost UK e traduzido do inglês.

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