OPINIÃO

Temos que parar de vender 4k e pensar em distribuição de TV

30/06/2015 18:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

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O Emmy é uma das premiações mais importantes do mundo, ano após ano, premia o que de melhor acontece no universo da televisão... sua faceta mais conhecida premia as produções americanas de televisão em uma festa de gala transmitida no mundo inteiro.

Discussões imperialistas à parte, foi com bastante ansiedade que aceitei o convite da Rede Globo em participar do Academy Day, evento realizado pela "academia", no Rio de Janeiro. Executivos de tv de todo o mundo, membros da academia, estavam presentes ao Rio de Janeiro para discutir os rumos da televisão e conversar sobre as Olimpíadas de 2016, que será um evento de magnitude ímpar a ser transmitido direto da cidade maravilhosa.

De minha parte, estava especialmente interessado no Painel de tecnologia, moderado pelo Ernesto Paglia e no Painel de Social Media, moderado pelo Alvaro Pereira Jr. No entanto, tenho que destacar também a apresentação de tendências da empresa inglesa WIT, o emocionante painel sobre esportes comandado pelo Flavio Canto, a intrépida Carol Barcellos, a apresentação incrível do Sergio Valente e o inglês impecável da Mel Maia.

Painel de Tecnologia:

A premissa era falar sobre como a tecnologia já tinha mudado os caminhos da televisão, mas o painel foi um pouco subvertido ao longo da discussão, até culminar no momento sincero do representante da Sony, instigado por Ernesto Paglia sobre "qual á grande nova tecnologia que vem por aí"?

"A nova tecnologia já está por aí, basta apenas usarmos [...] o que temos que parar para pensar é o seguinte: Há 5 ou 10 anos, a indústria convenceu todo mundo a trocar a tecnologia Standard pelo HDTV, foram gastos mais de 2 bilhões nessa conversão... agora fala-se em 4k, 8k etc. São mais alguns bilhões até trocarmos a tecnologia, em um gap muito pequeno de tempo, temos que parar de pensar nisso. Temos que focar no conteúdo, em distribuição, em múltiplos devices. As pessoas não estão totalmente inclinadas a trocar de tecnologia apenas por que queremos".

Vindo da Sony, uma das principais interessadas em vender TVs com 4k, foi uma fala sintomática. Trocando em miúdos: Que tal começarmos a pensar em fazer parcerias com o Netflix (muito citado à mesa) ou como o conteúdo pode se destrinchar para outros aparelhos (celulares, tablets, computadores...) e parar de pensar em só vender "qualidade da imagem"?

Painel de Social Media:

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Na mesa, moderada por Álvaro Pereira Jr, ficamos sabendo através da apresentação da própria Rede Globo, que dos 118 milhões de brasileiros conectados à internet, 20 milhões a utilizam APENAS pelo celular; 75% de todas as menções do Twitter NO BRASIL são relacionadas à televisão e, no Brasil, 23% das pessoas que assistem televisão estão fazendo isso junto com o seu celular. Colocando em projeção (coisa que a Globo fez) é fato dizer que a televisão e o celular serão as duas principais telas na vida das pessoas em pouquíssimo tempo.

"O que as redes sociais podem nos prover são dados. Dados que complementam a experiência da TV, fomentam e rejuvenescem a marca e trazem um engajamento que comprovam nossa audiência".

Exemplo de dados colhidos através do Twitter sendo usados durante transmissão do debate eleitoral, na Rede Globo.

Ao compartilhar algumas informações do evento nas redes sociais, muitos dos meus amigos se mostraram "céticos" quanto à adesão da Rede Globo a tais ideias (visto que ela não cita, por exemplo, o nome de redes sociais em seus programas e taxa anunciantes que o fizerem)... Conversando posteriormente com membros da equipe de social media da Globo, no entanto, compreendi que o caminho é sem volta, e mesmo não parecendo, a empresa já tem ações sólidas e com resultados muito expressivos na internet, o tempo dirá.