OPINIÃO

Uma ducha de água fria na política brasileira

20/01/2017 18:54 -02

Vou contar um caso hipotético tosco, propor em seguida uma reflexão mediana e, por fim, arriscar uma conclusão presunçosa.

O caso

Imagine que você tenha um carro e que, quando ele está sujo, você o leva ao lava-rápido em que trabalha o Seu Antonio, homem discreto e comprometido com o trabalho. Daí, por uma fatalidade das mais lamentáveis, Seu Antonio, exímio lavador, morre em um grave acidente. Fim.

A reflexão

Ao saber desse triste passamento, obviamente você lamentaria a perda do saudoso Seu Antonio, ser humano exemplar e por todos querido. Tirando esse aspecto afetivo e pensando também nas coisas práticas, você:

a) entenderia que outra pessoa daria continuidade ao trabalho, porque assim é a vida?

b) teria receio de que seu carro ficasse sujo para sempre, pois Seu Antonio era peça essencial nessa operação?

Se você respondeu "a", é sinal de que você confia nas instituições de lavagem a jato que conhece. Se respondeu "b", tudo indica que você tem motivos para acreditar que o tal lava-rápido hipotético não é sólido o suficiente para funcionar de maneira sistêmica.

A conclusão

Infelizmente, toda a preocupação sobre os rumos do processos então conduzidos por Teori Zavascki, por si só, o quanto o Brasil ainda não tem um sistema judiciário sólido, autônomo e confiável. Assim, é difícil "fazer justiça"

LEIA MAIS:

- A crise institucional e o futuro da Lava Jato após a morte de Teori Zavascki

- A morte de Teori Zavascki ou um acaso conveniente para o status quo

Também no HuffPost Brasil:

A trajetória de Teori Zavascki