OPINIÃO

O mito do político honesto

26/12/2014 17:47 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02
Thinkstock/Getty Images

Qualquer um que faça uso de uma pequena porcentagem da sua capacidade mental, não se presta ao papel de dizer em público que nunca houve tanta corrupção quanto nos governos petistas. Conhecendo rudimentarmente a história do Brasil e sentido vergonha de falar bobagens, ninguém diria isso.

No entanto, se o PT pode se gabar de não ter "inventado a tristeza", há um legado maldito na nossa tradição política pelo qual o PT tem sim uma responsabilidade gigantesca: o mito do político honesto.

Paulo Roberto Costa, o "grande delator" da Operação Lava Jato", afirmou literalmente o seguinte: "Desde os governos Sarney, Itamar, Fernando Henrique, Lula, Dilma, em todos os governos, os diretores da Petrobras e de outras empresas, se não tivessem apoio político, não chegavam a diretor".

Fosse outro nosso discernimento político, estaríamos questionando que mecanismo é esse que, há tantas décadas, tem se valido do bem público para construir a riqueza privada.

Fosse outro nosso discernimento político, não daríamos atenção às convenientes lágrimas de uma Venina Velosa, pois não limitaríamos a discussão ao caráter dos envolvidos.

Fosse outro nosso discernimento político, estaríamos escandalizados com o fato de que a quase totalidade das prisões até o momento envolvam funcionários de alto escalão de grandes empresas, sem dúvida as maiores beneficiadas pela corrupção que tanto se condena.

É claro que a falta de discernimento é resultado de inúmeros fatores, mas uma coisa não podemos esquecer: quando oposição, o PT fez um debate raso sobre o tema, ajudando sim a criar o mito maniqueísta de que bastava trocar os bandidos pelos honestos. Não era isso.

Hoje, vejo muitos colegas de esquerda dizendo que, nos três mandatos à frente do executivo federal, faltou ao Partido dos Trabalhadores investir mais a sério em educação, com vistas a politizar mais o povo deste país.

Concordo em termos: parece que a escolha de não politizar vem de muito antes. Talvez o Lula do sindicato, ao dizer que "trabalhador não é nem de esquerda, nem de direita", já tivesse feito essa opção. A conta, como se vê, está sendo cobrada.