OPINIÃO

Jovens que passam rapidamente da primeira dose ao primeiro porre têm maior risco de se tornarem alcoólatras

01/12/2014 11:18 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02
Patrick Llewelyn-Davies via Getty Images

Pesquisa associa início precoce e primeiro episódio de binge - o consumo esporádico excessivo - com o alcoolismo na vida adulta

Dois adolescentes, ambos com 14 anos, ingerem bebida alcoólica pela primeira vez. Dois anos depois, o primeiro toma seu primeiro porre. Em uma balada, bebe mais de quatro doses, o suficiente para o episódio ser classificado como binge, ou consumo esporádico excessivo. Já o segundo adolescente só encara sua primeira bebedeira nesse patamar aos 18 anos.

Quem tem risco maior de desenvolver alcoolismo? O primeiro, de acordo com um estudo feito nos Estados Unidos que aponta dois momentos para o desenvolvimento da dependência de bebidas alcoólicas, o da primeira dose e o do primeiro porre, e destaca o a importância do intervalo entre eles. Quanto mais próximos estiverem os dois, pior.

O estudo foi feito com 295 adolescentes (163 do sexo feminino e 132 do masculino), com idade média de 16 anos e que tinham o hábito de consumir bebidas alcoólicas. O binge drinking foi definido como cinco drinques ou mais em uma ocasião. Os resultados foram publicados na revista Alcoholism: Clinical & Experimental Research.

"Os resultados sugerem que adolescentes que tomam seu primeiro drinque mais cedo passam a beber mais pesadamente, em média, do que aqueles que iniciam mais tarde", disse Meghan Morean, professora no Oberlin College e na Yale School of Medicina, um dos autores da pesquisa. Segundo Morean, outra importante peça do problema é a rapidez com que os adolescentes passam do primeiro drinque para a primeira bebedeira.

A venda de bebida alcoólica a menores de 18 anos de idade é proibida no Brasil. Mas a proibição não implica o fim do consumo - ou sua diminuição - e o alcoolismo juvenil tem se destacado como um grave problema de saúde pública.

Um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fez a seguinte pergunta a mais de 100 mil estudantes do 9º ano do ensino fundamental: "Alguma vez na vida você tomou uma dose de bebida alcoólica?".

O resultado, publicado na Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE) 2012, indicou que 50,3% responderam positivamente. Entre as meninas, 51,7% disseram sim, um número maior do que nos meninos (48,7%).

Em um estudo mais recente, feito no Núcleo de Pesquisa em Saúde e Uso de Substâncias da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foram entrevistados 5.226 alunos do 8º e do 9º ano do ensino fundamental a respeito do consumo de bebidas alcóolicas. O resultado também foi alarmante: 40% disseram ter bebido no mês anterior ao levantamento. Desses, um terço bebeu no padrão binge.

O grupo da Unifesp, coordenado pela psicóloga Ana Regina Noto, tem adaptado um programa australiano que conseguiu reduzir em 20% o consumo de álcool entre adolescentes por meio de um programa de conscientização. O programa tem sido aplicado inicialmente em alunos de oito escolas particulares no Estado de São Paulo, com participação de professores e coordenadores pedagógicos.

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