OPINIÃO

O Catar tinha a proposta mais forte para a Copa do Mundo de 2022

24/06/2014 13:23 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02
Osama Faisal / AP

Com uma semana de Copa do Mundo 2014, já vimos grandes derrotas e decepções para os torcedores. Seja a saída precoce da Espanha ou a da Inglaterra, há bons motivos futebolísticos para explicar esses resultados. E, apesar de tudo o que você pode ter ouvido nas últimas semanas, também há motivos bons e legítimos pelos quais o Catar venceu adversários mais conhecidos para sediar o torneio daqui a oito anos. É que nós nos esforçamos para ser ouvidos.

O Catar não tem uma rica história de futebol. Somos um país pequeno. As temperaturas são altas no verão. Embora injustamente, nossa riqueza desperta suspeitas. Mas nossa proposta teve sucesso não porque essas grandes questões foram ignoradas, mas porque demos respostas convincentes. Transformamos cada desafio em vantagem. Vencemos porque nossa proposta foi considerada a melhor.

A história do futebol no Catar pode ser muito mais recente que na Europa ou na América do Sul, mas a paixão pelo esporte aqui e em todo o Oriente Médio é igualmente intensa. Os membros da Fifa compreenderam isso e estavam interessados em levar o torneio para uma nova região.

As Copas nos Estados Unidos em 1994, no Japão e na Coreia do Sul em 2002 e na África do Sul em 2010 ajudaram a construir a popularidade global do futebol. Esta é a oportunidade para levar o torneio a muitos milhões de aficionados por futebol no Oriente Médio.

Os membros da Fifa também foram tranquilizados por nosso sucesso em organizar outros grandes eventos esportivos, como os Jogos da Ásia em 2006, os Jogos Pan-Árabes em 2011 e a Copa da Ásia em 2011. O tamanho compacto do Catar deu a esses eventos uma sensação muito diferente, outro ponto positivo para os membros da Fifa. Falamos sobre uma Copa do Mundo em que os times e os torcedores não terão de voar enormes distâncias entre as sedes, diferentemente do Brasil, ou da Rússia dentro de quatro anos. Eles também reconheceram que o Catar é uma sociedade estável e pacífica, com um dos mais baixos índices de criminalidade do mundo.

Claro que enfrentamos propostas de rivais fortes. Mas tanto os Estados Unidos como o Japão e a Coreia do Sul sediaram Copas do Mundo recentemente. A Austrália tem uma tradição esportiva muito grande, mas o futebol não é o esporte número 1. Um campeonato realizado lá também envolveria longas viagens e custos consideráveis. Em comparação, mais de 2 bilhões de aficionados por futebol estão dentro de quatro horas de voo do novo aeroporto de Doha.

O calor de nosso verão é considerado por alguns críticos o principal motivo pelo qual não poderíamos ter ganhado justamente. Mas nós já provamos que os jogos podem ser confortáveis. Realizar o torneio no inverno não foi nossa proposta. Poderia parecer para alguns que estádios com ar-condicionado são um delírio, mas já temos sistemas de resfriamento em eventos ao ar livre desde 2008.

Investimos em pesquisa e desenvolvimento para descobrir como o resfriamento poderia ser movido pela tecnologia solar e outras renováveis, e prometemos à Fifa que as compartilharemos com outros países.

Concordo que gastamos mais dinheiro na campanha do que outros países, mas isto foi apenas para nos equipararmos aos rivais mais conhecidos. Tínhamos de falar às pessoas sobre nosso país e sobre o que podemos oferecer, para superar os obstáculos percebidos. Mas, do dia em que lançamos nossa proposta até o dia em que fomos escolhidos em Zurique, jogamos estritamente conforme as regras. É por isso que estamos felizes em cooperar plenamente com a investigação da Fifa sobre o processo de licitação. Não temos nada a esconder ou a temer.

Isso não impediu uma avalanche de acusações cada vez mais loucas. Esta semana, por exemplo, a Interpol rejeitou completamente a afirmação do jornal Sunday Times de que ela havia pedido uma investigação criminal sobre a decisão de 2022.

Nós explicamos para a Fifa que queríamos que a Copa do Mundo fosse um catalisador de mudanças positivas em nossa região. Temos mantido nossa palavra e já tomamos medidas, por exemplo, para modernizar nossas leis trabalhistas. Também salientamos nossa forte crença em que realizar o torneio no Oriente Médio melhoraria o entendimento na região e além dela.

Como vimos no Brasil, a Copa do Mundo tem uma capacidade notável de aproximar pessoas e culturas. Torcedores de todo o mundo estão formando novas amizades. Eles voltarão para casa com seus olhos e suas mentes mais abertos.

Existem, infelizmente, muitas divisões e incompreensões em nosso mundo, mas a paixão compartilhada pelo futebol pode sacudir preconceitos e unir os povos em torno do que eles têm em comum. Essa mensagem -- que nunca foi mais importante -- estava no centro de nossa proposta. É também por isso que aguardamos ansiosamente para receber o mundo em nosso país em 2022: será um acontecimento maravilhoso.

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