OPINIÃO

Desta vez, é mesmo pelo impeachment

14/08/2015 14:48 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Estadão Conteúdo

Domingo, dia 16 de agosto, as massas estão convocadas para tomar as ruas novamente. Diferente de outras manifestações, como a onda de julho de 2013, ou o histórico 15 de março de 2015, desta vez não há falta de foco, fenômenos espontâneos ou vontade de "fazer bem à alma" como sugeriu Helio Gaspari. Desta vez, o pedido é claro: impeachment ou renúncia. O clamor é por Dilma fora do Planalto.

Vamos ver como será o domingo. Justamente por ser uma manifestação mais focada, pode ser que não atraia tanta gente quanto as outras. De qualquer forma, é evidente que o clima mudou. No 15 de março havia de tudo, dos que pediam intervenção militar aos que estavam ali só para manifestar descontentamento, mesmo sendo contra a distante possibilidade de um impeachment. É muito curioso como o tema não arrefeceu. Ao contrário, ganhou força. Em março o impeachment era uma ideia extrema. Hoje, é discutido o tempo todo.

O programa do PT exibido no último dia 06 de agosto focou na crise econômica. Apresentou dados de tempos passados e fracos argumentos emocionais. Mesmo se tratando de óbvia peça de propaganda, admitiu: "erramos o alvo". Apelou para o medo do abismo de uma crise política. De fato, a crise econômica deve ter grande impacto nos altos índices de rejeição do governo Dilma. E estes, por sua vez, alimentam a vontade da oposição e, até, da base aliada, de combater o governo. A impopularidade recorde traz à tona interessantes questões psicológicas do jogo político: "aliados", como o PMDB, não são felizes subalternos. São forças que se viram obrigadas a negociar para não morrer, mas que esperam o primeiro sinal de fraqueza para virar o jogo. Nada mais natural. Um governo impopular não tem força para manter sua base. Perde governabilidade.

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A verdade é que a tal crise política, que a propaganda do PT usou como bicho papão, já é real. Resta saber se um impeachment iria agravá-la, ou acalmá-la. Aí, cada lado acredite no que lhe convém.

Ainda considerando apenas a crise econômica, ela revela mais um importante problema do atual governo: a legitimidade. Dilma ressaltou que tem a legitimidade do voto. Mas, não é estranho que sua popularidade tenha caído tão vertiginosamente, e tão rápido, logo após ter sido reeleita pela maioria da população? Esse fenômeno evidencia o quanto o governo teve de manobrar, irresponsavelmente, com a economia, para segurar uma falsa impressão de prosperidade até as eleições. E o quanto teve de mentir, durante a campanha, negando a dura realidade em que já nos encontrávamos. Hoje, as medidas de austeridade tomadas para enfrentar a crise assemelham o governo Dilma aos horrores que ela atribuía ao que seria o governo de Aécio. Ou seja, quem votou para não ver isso acontecer, está vendo, e está insatisfeito. Daí a legitimidade do descontentamento. Teremos, nesse domingo, uma medida da legitimidade do impeachment.

É golpe? É uma afronta à democracia? De modo algum. Na verdade, a capacidade de um povo para destituir seus governantes é uma medida tão importante dos ideais democráticos quando a capacidade para instituí-los.

Agora, indo além da crise econômica, há os infindáveis escândalos de corrupção que a propaganda petista "esqueceu" de mencionar. A operação Lava Jato é uma das coisas mais importantes que já aconteceu nesse país. É importante pelas somas envolvidas, pelos figurões envolvidos, por revelar as entranhas da corrupção institucionalizada em todas as esferas do Estado (executivos, políticos, partidos, estatais). Mais ainda, é importante por evidenciar que a sociedade brasileira já pode ultrapassar a desilusão com o Executivo e o Legislativo. Nós amadurecemos e, nos níveis mais baixos de poder, na Polícia Federal, no Ministério Público, existe uma representatividade, existe uma esperança de construir um país sério.

Porém, em qualquer país sério, um governante que vê a sua base envolvida em um escândalo dessa magnitude já teria pedido a renúncia há muito tempo. Na pior das hipóteses, esse governo se mantém por pura ganância. Na melhor das hipóteses, o PT está convencido de que só eles têm a capacidade de fazer algo de bom pelo Brasil. Só eles podem defender o país das forças do mal. Por isso, não podem arredar o pé por nada, mesmo diante de uma crise de popularidade, confiança, governabilidade e na falta de requisitos mínimos de decência política. Estaria tudo justificado, para manter os rumos que eles desejam. Ou seja, na melhor das hipóteses, quem não acredita em um Brasil forte, democrático, capaz de responder à altura ao maior escândalo de corrupção de sua história é o próprio PT. O Brasil é mais maduro do que o PT acredita.

Há muito rumos para o Brasil. E as ruas estão dizendo que este em que estamos não é mais aceitável. Está na hora da voz do povo ser mais alta que a do governo, então, #vemprarua!

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