OPINIÃO

Clima pró-impeachment esfria após dueto de Dilma e Renan com 'Agenda Brasil'

11/08/2015 22:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

A crise política que engole o governo da presidente Dilma Rousseff teve um de seus primeiros respiros esta semana. Acuada pela pressão dos que querem a renúncia ou o impeachment, Dilma fez um intensivão para conter a rebelião em Brasília e escalou como um dos fiéis aliados o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

O dueto alçou um vôo alto nesta terça-feira (11) com a apresentação da Agenda Brasil. Embora controversa, a pauta propositiva - avalizada pelo PMDB, com 27 sugestões para retomar o crescimento do País - conseguiu ofuscar a pauta-bomba e desviou o foco do impeachment.

Com a proposta e a mudança de discurso entoada na segunda-feira (10), quando disse que priorizar o impeachment é colocar fogo no País, Renan surgiu como um novo protagonista na queda de braço entre o Executivo e o Legislativo.

Vale ressaltar que em 2013, no auge das manifestações, Renan teve um papel essencial para ajudar a dar uma resposta à sociedade.

A postura dele, porém, foi mal recebida na Câmara. Sem citar o correligionário, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mirou na mandatária e disparou: "Não adiantar achar que só o Senado funciona". No Senado, a crítica foi ignorada e usada como mais um argumento para unir o Legislativo.

Além de Renan enfatizar que o Congresso é mesmo bicameral, outros peemedebistas reforçaram esse discurso e evitaram o embate político.

Os petistas também não ficaram satisfeitos com o empenho do presidente do Senado de se mostrar como um líder capaz de unificar o País. Nos bastidores, eles reclamam que não foram chamados para articular as propostas, mas reconhecem que, embora não concordem com o mérito, a pauta teve uma boa repercussão.

Exitosa no primeiro momento, essa parceria é repleta de ressalvas. Será que, se denunciado na Operação Lava Jato, na qual é citado, Renan continuará agarrado ao Planalto? Até o fim do primeiro semestre deste ano, ele era um dos que tinha se aliado ao presidente da Câmara para pressionar a petista.

Apesar de ter conseguido esfriar os ânimos, o Planalto continua em alerta. Há a avaliação de que a presidente acertou, mas que os erros do passado são maiores e continuam a assombrar. O respiro que antecede as manifestações contra o governo, previstas para o dia 16, ainda não anima os governistas, mas dá a sensação de que é possível reverter a maré de azar.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS:



VEJA TAMBÉM:

9 dicas de Dilma para aliviar a tensão