OPINIÃO

Qual é a tua, jornalismo?

17/10/2015 19:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
Anadolu Agency via Getty Images
GAZA CITY, GAZA - OCTOBER 17: A supporter of Democratic Front for the Liberation of Palestine (DFLP) flashes victory sign during a protest against Israeli violations at the Erez border crossing between Israel and northern Gaza Strip on October 17, 2015. (Photo by Ali Hassan/Anadolu Agency/Getty Images)

Há onze dias, Israel está sendo atacado das maneiras mais diversas possíveis. Começou com o disparo de tiros contra um casal diante de seus quatro filhos, todos menores de dez anos. A mídia falou discretamente sobre o assunto, alegando se tratar de um caso isolado de "militância" de um cidadão de origem palestina.

Não consigo sequer explicar acerca de todos os erros grotescos e da normalidade com que essa matérias foi escrita, mas, posso apontar os mais importantes:

1. Chamar terrorista (ou psicopata) de "militante" é uma afronta às vidas tiradas;

2. Existem diferentes grupos terroristas anti-Israel. Alegar que foi "um cidadão de origem palestina" ajuda a criar um ódio desnecessário por um povo inteiro que não necessariamente compartilha dos mesmos ideias.

Esse caso seria facilmente esquecido se os dias seguintes não fossem marcados por uma onda de casos ainda mais chocantes, como o esfaqueamento do casal de judeus e seu filho, ainda bebê, próximo ao Kotel - lugar sagrado para muitas religiões. O marido e o cidadão que tentou ajuda-los morreram, a mulher e o bebê ficaram gravemente feridos.

A partir daí, a frequência dos esfaqueamentos só aumentou e o pânico se espalhou. Os ataques vinham de pessoas as quais menos esperávamos. Pessoas comuns nas aparências, mulheres bonitas, meninos jovens, qualquer um poderia ser um potencial terrorista. Os alvos sempre os mesmos: judeus ortodoxos ou soldados. Então aconteceram mais alguns casos, onde judeus não religiosos foram atingidos, carros bombas foram lançados, mísseis arremessados e ontem teve o primeiro tiroteio. Agora é meio dia e já tivemos mais de seis ataques.

Israel decidiu contra-atacar. E aí o mundo ficou sabendo o que estava acontecendo. Digo, ninguém ficou sabendo de absolutamente nada! Simplesmente absorveram da mídia que Israel matou palestinos. Aparentemente sem motivo. Do nada. Simples assim, maldade por maldade.

Aqui já estava se falando em 3ª Intifada quando o mundo começou a ouvir as notícias.

O jornalismo brasileiro tem a capacidade de falar que Grazi Massafera saiu da academia sem o celular, mas não fala que estamos vivendo uma suposta 3ª Intifada!

Quando resolvi escrever sobre Israel, tinha muitas coisas para falar sobre a terra em que vivo, para tentar mostrar ao mundo quanta coisa bonita tem por aqui. As diversas culturas, os lugares maravilhosos, minha aventura de norte a sul do país a procura do Homus perfeito... Mas, não. Ao me deparar com tantas matérias tendenciosas das mídias internacionais, principalmente a brasileira, resolvi não me calar. Não dessa vez. Pois sei que tende a piorar quando Israel realmente resolver pegar em suas armas e, acredite, isso ainda não aconteceu.

As manchetes nos jornais e, óbvio, nas mídias sociais sempre falam sobre a morte causada por Israel, não importa se foi em defesa, contra-ataque ou em conflito. Chega a ser ridículo. Não adianta reclamar da mídia manipuladora só quando convém. Obviamente eu não concordo com todas as atitudes do governo israelense. Tal como não concordo com diversas atitudes de todos os governos de todos os países. Mas o ódio é sempre disseminado apenas contra Israel.

Não é possível explicar o conflito Israel/Palestina em uma matéria e esse é um do problema que muito me incomoda: as pessoas acharem que da! E, pior, quem ler achar que sabe de tudo. A militância moderna e ignorante, que toma partido antes de se aprofundar completamente em um assunto extenso (nesse caso, demanda anos de estudo) gera o famoso discurso de ódio e faz parecer que só há um lado da moeda nessa história toda.

O que quero levantar com esse post é:

1. Israel é um país pequeno. Seu território é menor do que o atual território onde se encontra a palestina. De uma ponta a outra de Israel é uma viagem de seis horas;

2. Como no Brasil, existem diversas opiniões políticas entre os israelenses. Muitos são a favor da existência da palestina. Outros não. Eu mesma sou a favor, isso não é sequer uma questão de opinião na minha cabeça. Mas uma coisa eu posso garantir: Israel é muito mais a favor da paz do que se diz por aí;

3. Assim como opiniões políticas, existem também pessoas de todos os tipos por aqui. Opiniões diferentes, costumes diferentes, tem os religiosos, os nada religiosos, estrangeiros de todos os cantos do mundo, uns turistas malucos, a galera do fundão... Temos que pensar que quem morre são pessoas comuns. Poderia ser eu. Brasileira. Judia. Não religiosa. Pessoas que não necessariamente tem a ver com aquilo que vocês não aprovam sobre a política internacional de Israel;

4. Uma coisa é não concordar com a política interna, internacional, ou o modo como Israel hoje existe, outra coisa é culpar seu povo pela tal. Cidadãos civis. Desejar seu exílio ou injúria;

5. Essa situação é temporária. Todo ano acontece a mesma coisa: uma onda de ataques com as próprias mãos, seguidas de carros bombas, seguido de explosivos, seguido de mísseis, e quando Israel finalmente contra-ataca, aí o mundo fica sabendo, a "mídia pira e os cara para". É um ciclo sem fim. E não há nada que Israel possa fazer para deter uma ideologia baseada em ódio.

Falo isso porque, para mim, é muito triste conversar com pessoas inteligentes e vê-los boicotando Israel, como se Israel fosse o inimigo do mundo ou o único país com tal política. É triste apoiar uma esquerda brasileira que defende terrorista. É muito triste, de verdade, simpatizar com um partido político que é contra o país que tanto amo. E mais triste ainda, é ver o país muitas vezes vazio porque as pessoas têm medo de pisar aqui ou porque não aprovam nossa existência. É simplesmente ver uma geração inteira de israelenses crescendo sabendo que são odiados por boa parte do mundo, por nada. Nada que cabe a eles mudar. Nada que eles tiveram qualquer influencia em fazer. E a mídia ajuda a construir esse ódio, mesmo alegando sempre pregar pela paz.

Por último, deixo aqui um pensamento: mesmo morando aqui, nessa situação, me sinto mais segura do que no Brasil. Semana passada voltei de um show às 3 da manhã (desculpa, mãe), com meu celular em mãos, andando para casa, sabendo que eu tinha mais chances de morrer ou, no mínimo, ser assaltada no Brasil, do que sofrer um atentado em Jerusalém. São medos diferentes, é claro, mas são menores e acho que o Brasil tem muito o que olhar, ainda, para seu umbigo antes de vomitar os assuntos os quais não dominam.

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