OPINIÃO

É preciso lutar diariamente contra a discriminação de pessoas vivendo com HIV

24/11/2015 11:31 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

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Na última semana, entre os dias 17 a 20, aconteceu em João Pessoa (PB) o 10º Congresso de HIV/Aids (e 3º Congresso de Hepatites Virais).

Durante o dia, eu e Gabriel Martins (namorado e coordenador do Projeto Boa Sorte) participamos de várias mesas, oficinas, debates e encontros - mas à noite o Projeto Boa Sorte se recolheu para preparar uma cobertura sobre tudo o que vivemos nesses dias. Separamos os destaques e trouxemos aqui para vocês.

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Os primeiros dias do 10º Congresso de HIV/Aids vieram cheios de compromissos importantes. Na cerimônia de abertura, Georgiana Braga-Orillard (UNAIDS Brasil) ressaltou a dedicação com as metas "90-90-90", o Fast Track para acelerar a resposta à epidemia: diagnosticar 90% das Pessoas Vivendo com HIV e tratar 90% destas para que pelo menos 90% tenham Carga Viral indetectável de forma a reduzir a transmissão.

Utópico? Não para a diretora do UNAIDS Brasil: "A meta hoje deixa de ser uma utopia e passa a ser um compromisso", ela afirmou. No Brasil três cidades já se comprometeram: Curitiba, Salvador e Rio de Janeiro. A previsão é de que ainda esse ano se juntem, assinando a Declaração de Paris, Porto Alegre, São Paulo, Manaus e Brasília.

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A Plenária com Fabio Mesquita, diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais abordou os direitos das Pessoas Vivendo com HIV contrapondo avanços e a iminência de retrocessos. O conservadorismo de bancadas do Congresso foi constantemente levantado como motivo do aumento dos casos entre jovens e da dificuldade de acesso à saúde por populações mais vulneráveis.

O levantamento foi trazido pela advogada Patrícia Rios, que enumerou, dentre outros motivos, o movimento conservador, a criminalização da transmissão do HIV, a abertura de exceções para realização de testagem compulsória e a censura a campanhas com populações-chave (por ferirem valores da tradicional família brasileira) como motivos para esse retrocesso.

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O professor de Harvard Kenneth Mayer recomendou que o protocolo de PEP (terapia de 28 dias para evitar que quem tenha tido uma situação de risco contraia o HIV) seja atualizado para entregar de uma só vez todos os comprimidos. Atualmente no Brasil, a dispensa destes é feita em quantidade suficiente para apenas uma semana e o usuário precisa retornar na semana seguinte para pegar o restante do medicamento.

Na visão de Kenneth, isso é um desafio à adesão a esse tratamento. A respeito da PrEP (profilaxia de uso contínuo adotada desde antes da exposição para evitar a infecção por HIV), o especialista ressaltou a importância de os contemplados serem acompanhados pelo serviço de saúde e disse que, dessa forma, o aumento de casos de outras DSTs observado em seus estudos não se torna um problema, uma vez que inseridas no serviço elas deverão ser tratadas.

Tratar outras DSTs é uma forma de reduzir a transmissão do HIV, posto que é maior o risco da transmissão quando a pessoa porta sífilis ou HPV, por exemplo. Para encerrar o confronto de dados, Kenneth demonstrou que homens de sorologia negativa para HIV tinham maior adesão à PrEP do que homens de sorologia positiva para o tratamento antirretroviral. A PrEP está prevista para ser implementada como política pública no Brasil no ano que vem.

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Importantíssima, a única mesa do Congresso relacionada especificamente a estigma e discriminação trouxe dados alarmantes.

- 1 em cada 4 jovens com HIV na Bolívia e no Paraguai se viram obrigados a sair de casa.

- 5 países no mundo ainda restringem a entrada de pessoas com HIV em seus territórios.

- 76 países ainda criminalizam relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo.

Rafaelly Wiest, presidente do Transgrupo Marcela Prado, lembrou a todos que nossa Constituição prevê igualdade a todos e todas para em seguida falar da violência que transexuais e travestis sofrem todo dia - como, por exemplo, o fato de ainda terem sua identidade gênero classificada como uma patologia, um transtorno mental.

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No Espaço ONU, um grupo de jovens se reuniu com autoridades do organismo internacional para discutir de que forma podemos pautar a mídia de massa com o tema HIV/Aids. Assistimos à campanha "Viva Melhor" da Rede Globo em parceria com o UNAIDS Brasil, e a analisamos, destacando a importância de uma emissora desse porte fazer uma campanha a respeito da temática. E

m seguida, foram levantados os embates e desafios de se relacionar com uma imprensa ainda muito conservadora. Os jovens foram incentivados a buscar produtoras de notícia oferecendo oficinas de sensibilização com a temática de Direitos Humanos - uma jornada válida para todos os movimentos sociais!

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O fim do 10º Congresso Nacional de HIV/Aids deixa para 2016 desafios importantes. Precisamos trabalhar a prevenção combinada, melhorar o acesso à PEP e garantir a PrEP. Precisamos lutar árdua e diariamente contra o estigma e a discriminação contra as Pessoas Vivendo com HIV e todas as populações mais vulneráveis. Precisamos trazer o jovem de forma ativa para a resposta à epidemia - a juventude foi colocada por Luis Fernando Benício, jovem ativista, como uma promotora de rupturas na construção social, capaz de combater retrocessos como o machismo e a homofobia. Precisamos transpor esses novos horizontes.

Para cada nova resposta, três novas perguntas! O Projeto Boa Sorte está de energia renovada para seguir ajudando vocês a acessarem a informação da melhor forma possível! Vamos juntos por um mundo com mais arte, informação e acolhimento e com #ZeroDiscriminação!

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