OPINIÃO

A única alternativa para a esquerda são novas eleições

17/03/2016 16:46 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
ASSOCIATED PRESS
A protester holds a sign that reads in Portuguese; "Proud of the people, shame on the politicians," as he marches with others from the Rocinha slum towards the house of Rio de Janeiro state governor Sergio Cabral in Rio de Janeiro, Brazil, Tuesday, June 25, 2013. (AP Photo/Victor R. Caivano)

Ocupamos as ruas em 2013.

Naquele ano apanhamos tanto do Partido dos Trabalhadores quanto da oposição tucana e dos conservadores.

Intelectuais petistas nos chamaram de terroristas. Não por acaso, acabam de aprovar um projeto anti-terrorismo que de alguma forma pode influenciar na repressão e perseguição política contra ativistas. A direita odiou a "quebra da ordem". O governador Geraldo Alckmin (PSDB) mandou a polícia nos bater.

Naquele ano eu sabia que estávamos certos: os dois lados estavam contra.

Não se engane.

Não existe ruptura com o sistema vigente se você acaba agradando qualquer um dos dois.

Não se engane. A corrupção faz parte desse sistema vigente. O financiamento privado de campanha, que o PSDB tentou brecar no Congresso, é um reflexo disso. A lei anti-terror que será sancionada pela presidenta Dilma Rousseff também. Um reflexo do sistema vigente que, incomodado com o fato dos protestos de Junho de 2013 terem tomado tal proporção, resolveu criminalizar manifestantes e colocar o medo nas organizações sociais populares.

O impeachment de Dilma Rousseff não é ruptura com o sistema vigente. Os corruptores, aqueles que alimentam a corrupção, continuarão existindo. Os corruptos também - pelo menos do outro lado, da oposição. A Operação Lava Jato pode até continuar e pegar mais algumas figuras importantes. Mas em 2018 teremos novas eleições, e novamente banqueiros e empresários devem financiar políticos para a disputa de cargos, e amigos... Nada vem de graça.

A continuidade do governo Dilma também não representa nenhuma ruptura. Teremos a continuidade de um governo que pratica políticas de austeridade por conta dos próprios erros cometidos no passado. Um governo que na realidade não existe: refém de um Congresso ganancioso e movimentado por interesses pessoais, onde a figura de presidente da Câmara nunca representou tão bem a Casa: Eduardo Cunha, réu na Lava Jato.

Não se engane com as manifestações de verde e amarelo com discursos de pacifismo fisico e violência verbal. Eles incomodam apenas um lado. O outro, é amigo dos próprios organizadores. Não se esqueçam que Kim Kataguiri e seus colegas devem sair candidatos por partidos como o DEM, um dos mais corruptos do país.

É preciso tomar as ruas, sim.

Mas com outro objetivo. E não com eles.

É preciso tomar as ruas por novas eleições gerais, com termos democráticos e representativos, como:

1) Tempo igualitário em campanha eleitoral nas TVs e rádios

2) Sem financiamento privado de campanha

3) Debates democráticos

4) Criação de assembleias populares nas cidades e nas fábricas, onde o trabalhador possa debater de frente com outro trabalhador qual rumo o país deve tomar

Alguns podem dizer: "não existe conjuntura para aventuras de extrema-esquerda". Não é extremismo. É trabalhar com a realidade em nosso favor. A esquerda perdeu o protagonismo das ruas, e agora decidiu se agarrar no Planalto.

Se não existe conjuntura hoje, em 2016, imaginem em 2018. Pior, imaginem se Dilma Rousseff cair e a Lava Jato brecar posteriormente. A oposição sai fortalecida. A esquerda, única protagonista capaz de enxergar no sistema vigente a raíz da corrupção e dos problemas sociais, sai enfraquecida.

Novas eleições gerais, amplas e democráticas, com participação popular, são possíveis e podem ser a nossa única cartada. E pra isso precisamos ir pra rua. Mostrar para o Movimento Brasil Livre que, aquela multidão sem voz os seguiu por não ter nenhuma outra alternativa. A esquerda é a única vertente política e ideológica capaz de repetir os protestos de Junho de 2013. E se quisermos, o faremos.

Vamos fazer parte disso?

Nas ruas por direitos, pela democracia direta, e por novas eleições gerais!

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