OPINIÃO

O câncer não define o que somos, somos o que quisermos ser

28/01/2014 18:39 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Sou Flávia Flores, natural de Florianópolis, tenho 36 anos e tive um filho no começo da minha adolescência, atualmente Gregório tem 21 anos. Muitas pessoas acham que eu tenho 21 anos, acho que a minha vontade de viver que não deixa me envelhecer e posso provar que: o câncer, se não mata embeleza, porque foi assim comigo!

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Trabalho com moda desde os 13 anos de idade e apesar de gostar da área, sempre me questionei o motivo de me dedicar a algo que considerava tão fútil e superficial.

Tentei até mesmo ser piloto de avião, mas acabei me formando em Administração de Empresas. Mesmo assim minha carreira sempre seguiu atrelada à moda apesar das inúmeras tentativas de mudar meu seguimento profissional. Já fui modelo, dava aulas de passarela e como posar para fotografias, fui figurinista, representante comercial de marcas de luxo, gerente comercial, gerente de marketing, desenvolvi produtos e era muito boa no que fazia.

Em 2012 eu estava passando por uma fase em que sentia necessidade de me encontrar espiritualmente. Morava em São Paulo e trabalhava com algo que não me completava. Eu não estava feliz profissionalmente, amorosamente, pessoalmente, totalmente! Fiz um programa espiritual - tipo uma novena, onde eu tinha direito a fazer um pedido a Deus. Não sabia o que pedir, então, por estar infeliz com tudo, pedi para que minha vida mudasse completamente e na mesma semana que terminei o programa fui diagnosticada com câncer de mama. Era outubro de 2012 e eu pensava: "Poxa, Deus! Poderia ter me mandado outra coisa! Quem sabe uma viagem ao exterior, um amor, um novo rumo profissional, mas não um câncer?!".

Por cerca de 10 dias após o diagnóstico fiquei deprimida e chorando deitada na cama do quarto de hospedes da casa da minha avó, que desde então tenho como meu quarto. Eu sentia vergonha apenas de me imaginar nas ruas sem cabelo, ou usando um lencinho simplório, que a quem me visse de fora pudesse perceber o câncer, o lenço para mim naqueles dias era atestado de doença, precisaria comprar uma peruca!

Tudo o que eu conseguia associar a palavra câncer era: gente doente, gente na cama, gente ficando inchada por causa do tratamento, gente sem cabelo, gente sem cor, gente de lencinho com as orelhas de fora, gente sem forma e o pior, gente sem alegria.

Foi assim que o Quimioterapia e Beleza surgiu, eu queria passar pelo tratamento me reconhecendo no espelho, não queria que meus amigos e pessoas na rua sentissem pena de mim, então resolvi me fantasiar, aprendi com amigos profissionais e muitas pesquisas na Internet alguns truques de make-up e alimentação que me deixaram para cima, assim pude inspirar milhares de mulheres a passar pelo tratamento sem perder a vaidade, auto-estima e alegria.