OPINIÃO

A modelo que removeu o maxilar para vencer o câncer

03/08/2015 16:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
Divulgação/Manolo Ceron

Elizaveta Bulokhova é o nome dela. Estudou Direito, mas trocou Toronto por Londres para começar uma carreira de modelo. Viajou o mundo, acumulando já sete anos de carreira -- passando por Japão, Londres, Nova York, África do Sul, entre outros países. Mas então ela passou pelo que não esperava passar...

Começou em 2014: ela e o namorado estavam em Amsterdã curtindo um tempo juntos, quando seu maxilar começou a inchar. A dor começou a se tornar insuportável, quando, em julho, depois de tantos exames e biópsias, foi diagnosticada com osteossarcoma no rosto, no meio de sua primeira gravidez.

Então, ela deveria interromper a gravidez para que tratasse o câncer com quimioterapia, além de ter que passar por uma cirurgia para remover o maxilar. Em entrevista à VICE, ela disse:

"Valentin era muito ativo e eu sempre conversava com ele enquanto estava no meu útero. Tive que pedir ao meu bebê para parar de se mexer porque não poderia mantê-lo e, de repente, ele parou. Ele me escutou e ficou bem quietinho", contou ela.

A cirurgia foi muito intensa! Durou cerca de 16 horas e removeu 95% de parte inferior de sua face, ou seja, 17 centímetros. Depois, o maxilar teve que ser reconstruído usando fíbula, veias, nervos e enxertos de pele da sua coxa direita e de seu ombro direito, o que devia acabar com sua carreira de modelo.

Várias cirurgias, uma atrás da outra. A anestesia poderia prejudicar o Valentin. O namorado cobriu todos os espelhos, e ela demorou um mês para ter coragem de se olhar de novo.

A quimioterapia -- que deveria acontecer depois de todas as operações -- foi adiada. Faltavam dois dias para a realização do aborto, quando o casal procurou médicos para realização do parto do Valentin, mesmo com dez semanas de antecedência.

"Foi horrível; basicamente tivemos que dizer aos médicos para matar nosso bebê perfeitamente normal, mas não tínhamos escolha", disse Troubetskoi (o namorado) sobre os meses de angústia. "Aí, com Valentin perto de 28 semanas, perguntamos aos médicos o que seria dele. Era seguro fazer o parto? Eles disseram 'Com certeza, vamos fazer isso'."

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Valentin então nasceu dez semanas antes do previsto e passou 51 dias na UTI neonatal. Seu nascimento foi considerado um milagre. Bulakhova disse que foi quando ela voltou a falar com o bebê. E continuou a luta contra o câncer: hora da quimioterapia.

Para a VICE, ela disse: "A químio mata todas as papilas gustativas, então eu não tinha fome e não conseguia mastigar direito", ela disse, acrescentando que levava uma hora para comer um ovo cozido. "Eu tinha medo de beber água porque, às vezes, isso escorria (pelo lado do meu rosto) e isso me deixava traumatizada, meu estômago encolheu por causa da dieta líquida. Eu não conseguia comer nada. Fiquei desnutrida. O processo mecânico de comer era terrível."

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Nessa matéria, a Vice escreveu:

"Quatorze meses depois do início do sofrimento - e dois meses depois de sua última rodada de quimioterapia - Bulokhova, agora com 25 anos, e Troubetskoi, de 30, estavam sentados lado a lado em sua casa em Vaughan, Ontário, enquanto conversávamos. Quando um vizinho apareceu para pegar Valentin para ficar com ele durante a tarde, ele disse: 'Ele parece maior toda vez que o vejo'."

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O cabelo de Bulokhova começou a crescer de novo; a fileira de dentes de cima está tão perfeita quanto antes, mas ela tem dificuldades para falar às vezes, porque só quatro dentes de baixo restaram.

Em alguns anos, quando o câncer estiver em remissão, ela vai passar por mais cirurgias reconstrutivas. Com seu 1,72 metro e 49 quilos - apenas 1,8 quilo mais magra que seu peso antes do diagnóstico quase fatal - sua nova vida é tudo menos banal.

O fotografo Manolo Ceron fez um ensaio fotográfico - lindo - para contar a história dessa guerreira.

Em uma das fotos mais emocionantes, Valentin alcança a mãe com os dedos.

"Ele salvou minha vida - essa é parte mais importante", disse Bulakhova:

"Ele realmente cuidou de mim. Ele me deu um cronograma para seguir que me ajudou a trabalhar em mim mesma. Ele não me deu trégua, no bom sentido. Isso me manteve seguindo em frente. Eu não tinha tempo de ter pena de mim mesma."

As imagens de Manolo Ceron compõem este blog.

Mais fotos podem ser vistas no site dele.

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