OPINIÃO

Os grandes avanços para os animais criados para consumo humano no Brasil em 2016

06/01/2017 11:37 -02 | Atualizado 06/01/2017 11:37 -02

Neste ano vimos grandes avanços para os animais criados para consumo humano no Brasil, especialmente para galinhas poedeiras.

A grande maioria das galinhas poedeiras no Brasil é confinada por toda a vida em gaiolas de arame - conhecidas como gaiolas em baterias - tão pequenas que não podem sequer esticar suas asas completamente. Somente em 2016, várias corporações, incluindo McDonald's e Burger King, adotaram um posicionamento público em apoio às práticas mais humanitárias, comprometendo-se a comprar apenas ovos de galinhas criadas em ambientes livres de gaiolas. Ao adotar políticas livres de gaiolas, essas empresas libertarão milhões de animais de uma vida de confinamento intensivo. Muitas políticas se aplicam às operações em toda a América Latina.

Nós da Humane Society International (HSI), uma das maiores organizações de proteção animal no mundo, estamos orgulhosos de trabalhar com a indústria de alimentos na adoção e implementação de políticas livres de gaiolas na produção de ovos. Sabemos que os consumidores se preocupam com a forma como os animais são tratados na produção de alimentos, e as empresas estão trabalhando para atender as suas expectativas e também criar políticas que melhor refletem seus próprios valores corporativos. Continuaremos trabalhando com todos os setores, incluindo supermercados, cadeias de hotéis, produtores e outras empresas de alimentos no Brasil para apoiar a transição para uma cadeia de suprimentos sem gaiolas.

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Em 2016, o progresso para os animais na produção de alimentos no Brasil inclui:

As maiores empresas de restaurantes do país anunciaram políticas de ovos livres de gaiolas

A Arcos Dorados, que opera mais de 2.100 restaurantes do McDonald's no Brasil e em 19 outros países da América Latina e do Caribe, comprometeu-se a fazer a transição para uma cadeia de fornecimento de ovos 100% livre de gaiolas. O Burger King, com cerca de 480 restaurantes no Brasil, anunciou a mesma política, assim como o Grupo Alsea, a maior operadora de restaurantes da América Latina. No Brasil, o grupo opera a rede PF Chang's, e essa política se aplica às 3.000 unidades, como Burger King, Domino's, Starbucks, VIPs, Chili's, California Pizza Kitchen, El Porton, Foster's Hollywood, Pei Wei, Italianni's e Cheesecake Factory, que a empresa opera na Argentina, Chile, Colômbia, Espanha e México. A Brazil Fast Food Corporation (BFFC), que opera aproximadamente 1.250 restaurantes no Brasil, incluindo Bob's, Yoggi, Doggis, Pizza Hut e KFC, a Subway e o Grupo Trigo, também anunciaram que comprarão apenas ovos livres de gaiolas em toda a sua cadeia de fornecimento.

Os maiores provedores de serviços alimentares do país se comprometem com uma cadeia de fornecimento livre de gaiolas

A Compass Group (GRSA) e a Sodexo comprometeram-se a comprar apenas ovos livres de gaiolas. Juntas, essas empresas servem dezenas de milhões de refeições por ano apenas no Brasil.

A AccorHotels anunciou uma parceria com a HSI para eliminar os ovos de gaiolas da sua cadeia de fornecimento global de ovos líquidos e in natura na Europa até 2020, e em mercados remanescentes, a transição será feita dentro de 8 anos, incluindo no Brasil. A empresa opera aproximadamente 4.000 hotéis em 95 países, incluindo as marcas Raffles, Fairmont, Sofitel, onefinestay, Pullman, Swissôtel, Novotel, Mercure, Mama Shelter, Adagio e Ibis. No Brasil, o grupo opera aproximadamente 250 hotéis.

Empresas como o Burger King deram um passo adiante, comprometendo-se também a uma cadeia de suprimento livre de gaiolas de gestação

No Brasil, as porcas reprodutoras também são confinadas por quase toda vida em gaiolas de gestação individuais que são tão pequenas que não permitem que os animais sequer se virem ou deem alguns passos para frente ou para trás. O Burger King se uniu a inúmeras outras empresas que também adotaram políticas livres de gaiolas de gestação, como a Arcos Dorados, os três maiores produtores de suínos no Brasil e dezenas de empresas e produtores de alimentos nos Estados Unidos.

Sistemas livres de gaiolas em bateria e gaiolas de gestação geralmente oferecem um nível significativamente melhorado de bem-estar animal do que os sistemas de gaiolas. Em sistemas livres de gaiolas, os animais são capazes de andar, e no caso de galinhas poedeiras, podem esticar suas asas e colocar seus ovos em ninhos, comportamentos naturais essenciais negados às galinhas confinadas em gaiolas.