OPINIÃO

11 curiosidades sobre a Expedição Oriente

29/03/2016 11:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

E aí galera!

Novos lugares, desafios, línguas, aprendizados e aventuras.

Quando você embarca numa volta ao mundo, algumas coisas que fazem parte do seu dia a dia provocam, naturalmente, a curiosidade entre amigos e quem acompanha essa aventura. Como que é fazer parte da Expedição Oriente? Aqui, vamos te deixar por dentro da nossa viagem. Bem-vindo a bordo, tripulante!

1. Desafios do começo!

Nosso barco é totalmente sustentável e foi construído em Itajaí, Santa Catarina. Durante a construção (que demorou dois anos e meio), tivemos muitos desafios! Mas, como falam, "um mar calmo não faz um bom marinheiro". Na etapa final, fui diagnosticado com câncer (non hodkins) e tive que fazer quimioterapia no meu país nativo, os Estados Unidos. Depois de seis meses de força, fé e foco no tratamento, o médico me liberou para a Expedição Oriente. Embarquei a tempo de ir para a Antártica (um lugar dos meus sonhos). Hoje posso confirmar que, quando estamos mais fracos, é quando estamos mais fortes.

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2. Estamos no Ar. Literalmente!

Voando alto e capturando nossas imagens, nosso Drone (dji s900) é instrumento fundamental durante nossas filmagens aéreas. Com toda a tecnologia envolvida, incluindo GPS, sensores, giroscópio etc., às vezes, pensamos que ele tem inteligência própria. Já explico: nosso Drone não é "normal". Ele já voou no meio do mar, dentro de crateras e em altas montanhas. Um lugar inesquecível foi voando dentro de crateras de vulcões (Antártica, e Chile). Lá o magnetismo é superforte e afetou a bússola e os sensores, fazendo o Drone querer se jogar nas montanhas. Além disso, mesmo apontando 100% de bateria, quando chegava perto da cratera, avisava que tinha apenas 10%. Um fenômeno que causou momentos tensos para nosso piloto de Drone (Heitor Cavalaheiro). No final, tudo sempre dá certo e, assim, conseguimos realizar os voos com segurança.

3. Veleiro Kat chamando... Câmbio.

Imagina chegar em um país estrangeiro, mas, ao invés de estar com duas malas de 32kg, você leva sua casa inteira! Na Expedição Oriente é mais ou menos isso que acontece. Aproximando cerca de 10 milhas náuticas (18 km), começamos a avisar o país sobre nossa chegada. Ancorado ou encostado, a tripulação normalmente espera no barco até ser atendido pela imigração, alfândega e órgão saúde para ser liberado. Temos que ter tudo pronto: passaportes, vistos etc. Enquanto isso, organizamos a parte interna e lavamos o barco com água doce por fora. É aí que começam as curiosidades e conversas sobre o novo lugar. Falamos sobre o que gostaríamos comer chegando em terra, o dinheiro que usa e onde podemos adquirir um chip de celular para falar com mãe. OK. Também falamos sobre as apostas que têm que ser pagas normalmente com sorvetes ou cervejas.

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4. O mar e seus frutos.

Algo que aprendi com minha família foi respeitar o mar. Quando navegamos, jogamos a "linha na água". Pescar no veleiro Kat não é para diversão e sim para alimentação (igual os navegadores ancestrais). Pescar em alto mar é um desafio igual ao enfrentando em terra. Pode-se passar horas ou dias com nenhuma mordida. Mas, de vez em quando, temos sorte e comemos algo fresco. Nossa maior sorte foi no Pacífico. As águas claras nos ofereceram tudo: Mahi mahi, dourado, atum, wahoo e até um sailfish. Bem parecido com o marlin, o sailfish é lindo! Foi uma experiência incrível ter visto um, mas decidimos soltá-lo por causa do perigo da extinção da espécie. Com o maior respeito pelo mar, só pescamos o que for preciso para alimentar nossa tripulação.

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5. O maior desafio - Navegação em alto mar.

Já entrou num veleiro? O veleiro Kat, apesar de ser um barco de 24 metros, balança o suficiente para alguém que não está acostumado. Para topar o desafio de dar uma volta ao mundo, tem que ter estômago e paciência. Durante uma travessia a profundidade pode chegar de 3 a 10 mil metros! Então, não dá para jogar uma âncora. A única opção é continuar adiante e, assim, a cada quatro horas, muda o turno de navegação, que é decidido pelo nosso capitão (Vilfredo Schurmann). Vou te falar a verdade: um balancinho é gostoso para dormir. Mas quando o barco está bem adernado, muda tudo e você fica com saudades da terra rapidinho.

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6. Redes sociais, pesquisas e previsão de tempo.

Bom, como vocês sabem estamos bem presentes nas redes sociais. Então, temos que ter internet no barco (o que é um "luxo" e estamos bem conscientes disso). Mas esse "luxo" faz parte do nosso trabalho. Realizar pesquisas sobre os próximos portos, ver as notícias locais e nos conectar com o mundo é fundamental. Mas, na verdade, tudo isso pode ser realizado porque a internet é sagrada para a previsão de tempo. Hoje, podemos navegar tranquilos, com ventos a favor e segurança - evitando qualquer tipo de tempestade - por causa da previsão e meu tio (Wilhelm Schurmann), o imediato que se encarga pela segurança do barco e dos tripulantes. Ele também é quem faz o barco andar mais rápido quando estamos com presa.

7. Comida e compras.

Para dar a volta ao mundo com uma tripulação grande, temos que saber como nos sustentar. Temos sempre que estar bem preparados para qualquer tipo de condição. A tripulação come... e come bem! Dentro do barco, temos quem cozinha. A Erika Cembe-ternex e a Heloisa Schurmann se encargam de ter tudo que precisamos para uma travessia. Também precisamos fazer uma logística para comprar as coisas onde não estão tão caras. Por exemplo: no Chile, antes de sair para o Pacífico, compramos MUITO papel higiênico. Era algo que nunca tinha pensado, mas lá era algo barato, enquanto na Polinésia Francesa era MEGA caro. Mas quando seus avós te guiam pelo mundo, você aprende muita coisa. Inclusive, detalhes como esse.

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8. Quanta água precisamos?

É indicado beber de 2 a 2,5 litros de água. Então, se temos oito pessoas a bordo, são necessários, pelo menos, 20 litros por dia, 140 por semana, 560 por mês! Como fazemos? Quando estamos em um lugar isolado, onde não tem uma marinha com uma mangueira para encher os tanques, precisamos de outra solução. O dessalinizador é uma máquina que "transforma" a água salgada em doce, por meio de processos de membranas e filtros. Esse é um recurso fundamental, pois precisamos estar sempre com os tanques cheios. Quando saímos para fazer uma travessia, a gente reabastece ou por mangueira de uma marinha ou utilizando o dessalinizador.

9. Uma das minhas coisas favoritas na Expedição Oriente.

Quando estamos em ilha isoladas ou ancorados numa baia, nosso transporte é nosso inflável. À noite ou de dia, para mim, é diversão. Sou Igual aquele cachorro que fica com a cabeça por fora da janela no carro, curtindo o vento. Fico observando tudo, enquanto "voamos" por cima da água. À noite, quando voltamos para o barco, fico olhando as estrelas e curtindo o escuro, imaginando o que tem nas águas noturnas. O mar silencioso é misterioso e único. Sempre lembro que não é todo mundo que precisa molhar os pés na pria (para entrar no inflável) antes de voltar para casa. Às vezes, frio ou quente, o mar nos ensina muita coisa. Por isso, tem que prestar atenção. Hoje eu já observo tudo: da onde vem o vento, se a maré está alta ou baixa, se vem chuva etc. Com o tempo vêm os instintos de um marinheiro.

10. Sai da frente! Às vezes temos sorte... às vezes, não.

Quando pisamos em terra, nossa produção de filmagem precisa se locomover. E aí começam nossas aventuras. Já andamos em tudo: carros, minivans e motorhomes. Aventurando, a gente faz 4x4, se perde e, às vezes, fica "preso" (atolado). Em alguns lugares, os carros não são tão bons, temos que pegar estradas de terra e sem sinal de celular. Mas quem falou que vida de aventureiro é confortável? Nada! Quando você topa dar uma volta ao mundo, você joga tudo isso fora para viver uma vida de novidades e experiências únicas.

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11. Nessa viagem, já fiz tudo que achei que nunca teria coragem de fazer.

Como ser humano, sinto sempre que tenho um desafio ou um limite para ultrapassar. Antigamente, tinha medo de altura. Hoje esse medo não existe mais. Pela primeira vez, fiz Bunge jump de uma ponte de 40 metros; depois me joguei do prédio mais alto de Hemisfério do Sul (192 metros), e, recentemente, saltei de um avião a 4.000 metros! Não tenho mais medo de altura, mas sim de não viver os momentos. Amo sentir meu coração acelerar, porque me sinto vivo. Fazer tudo isso realmente me faz entender melhor porque vida é tão espetacular! Com essas experiências únicas, minha vida nunca será igual e só posso agradecer à minha família e amigos por serem minha motivação.

Aproveite, você, também a vida!

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Abraços,

Emmanuel