OPINIÃO

A história que eu não gostaria de ter escrito

28/01/2017 16:22 -02 | Atualizado 31/01/2017 22:06 -02
PeopleImages via Getty Images

Eram 10h30 da manhã de uma segunda-feira. Talvez um pouco mais tarde. Maria Ilzabete, mais conhecida como Isa, andava pelas ruas da Cidade Nova, região pobre de Marataízes/ES. No rosto, o sorriso denunciava o estado de espírito. Há algum tempo ela estava daquele jeito. Pudera, depois de tantas tentativas, finalmente conseguira se consultar com um dentista. Mais precisamente, UMA dentista da Turma do Bem. Estava tratada e feliz. E assim ia virando a página mais triste de sua vida.

Durante anos ela sofreu nas mãos do companheiro. Agressões psicológicas. Físicas. Que deixaram marcas no corpo e também na alma. Seu sorriso, por exemplo, foi roubado em um dos episódios de violência. Triste realidade que se repete aos borbotões por aqui.

No Brasil, a cada 15 segundos uma mulher é espancada, o que representa aproximadamente 6,8 milhões de vítimas. 13,5 milhões já sofreram algum tipo de agressão. A cada 4 minutos uma mulher dá entrada no SUS por conta de violência.

Como grande parte das mulheres que dão vida à estatística, muitas vezes Isa tentou dar um basta naquilo. Denúncias! Boletins de ocorrência! O companheiro chegou a ser preso em duas ocasiões! Lei Maria da Penha? Mas sempre era solto. E o medo continuava.

Infelizmente, na última segunda-feira, aos 43 anos, Maria Ilzabete foi morta a facadas pelo ex-companheiro. Feminicídio. No meio da rua. Em plena luz do dia...

Quando a dentista volutária me ligou contando a notícia, fiquei estarrecido. Isa era uma das 750 beneficiárias do projeto Apolônias do Bem, da TdB, que oferece tratamento odontológico a mulheres vítimas de violência (saiba mais).

ETC: