OPINIÃO

Atletiba: a revolução começou! E foi no Paraná

23/02/2015 14:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:03 -02

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O encantador estado do Paraná tem sido presença constante no noticiário nacional nos últimos meses. É lá que está montado o "quartel-general" da Operação Lava-Jato, que expôs todo o esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que há anos funcionava dentro da Petrobras.

Também é lá que professores da rede pública, em greve há cerca de duas semanas, foram às ruas protestar contra as péssimas condições de trabalho, os baixos salários e ainda um pacote de medidas enviado pelo governador Beto Richa (PSDB) à Assembléia Legislativa, o qual recebeu dos paranaenses o sugestivo apelido de "pacote de maldades". E é desse mesmo Paraná que surge a grande iniciativa promovida por clubes do futebol brasileiro nos últimos vários anos. Na quinta passada, ainda em meio à ressaca do Carnaval e três dias antes do maior clássico estadual, Atlético e Coxa anunciaram a união dos dois em prol do fim da violência nos estádios e do fortalecimento do futebol paranaense como evento e produto. Golaço da dupla!

Medidas parecidas já vinham sendo tomadas, como a do Internacional antes do último Gre-Nal, quando os colorados promoveram a paz no dérbi dando ao torcedor do clube que comprasse um ingresso para o jogo outro ingresso para que ele pudesse levar um convidado, desde que o convidado fosse gremista. Ou a dos organizadores do mais recente jogo entre Sport e Náutico, na Arena do Recife, que puseram as mães de torcedores organizados no lugar dos seguranças da partida. Ao se darem conta de quem eram aquelas "seguranças", os valentões se derretiam todos e deixavam pra lá essa história de tampar na porrada com os caras do outro lado. Porém, essa é a primeira vez que dois grandes rivais se juntam não somente para pedir o fim das brigas, mas também para tratar de forma profissional e madura de assuntos que são do interesse de ambos, como contratos comerciais e publicitários, fortalecimento do campeonato, com o Furacão prometendo, inclusive, voltar a disputar o Paranazão com a equipe principal - disputa com o sub-23 desde 2013 -, e uma representatividade maior tanto de um quanto de outro em nível nacional, principalmente na CBF.

Agora que os dois gigantes paranaenses deram as mãos, é de se esperar que os demais clubes de lá sigam pelo mesmo caminho. Eu tento não me empolgar, mas é difícil não imaginar que pode estar aí a semente da criação de uma Liga Nacional, que decretará a independência dos times da CBF e de suas respectivas federações. Esse, sim, o passo definitivo rumo ao fim do amadorismo disfarçado de profissionalismo que ainda impera por aqui.

Depois de abordar esse assunto em vários posts anteriores, chega a ser um alento perceber que existem dirigentes que estão ligados no que acontece fora dessa bolha em que o futebol brasileiro parece não querer deixar de viver e ao mesmo tempo têm a coragem de tomar a atitude necessária. Todo mundo sabe bem o que deve fazer para que comecemos a resolver os problemas, mas, por enquanto, só Coxa e Furacão tiveram colhões para fazer a coisa acontecer de verdade. Não vai ser fácil alcançar o objetivo. As velhas raposas não vão deixar barato. Não é da noite para o dia que vamos ver mudar décadas e décadas de práticas, que até aqui se mostraram extremamente vantajosas para os que comandam a parada cá por essas bandas. Ninguém quer largar o osso. Vai ser preciso arrancar deles à força.

Ah, o jogo? O jogo terminou 2 a 0 pro Coritiba. O Coxa agora é o segundo colocado, com 12 pontos. Está a apenas 1 do J. Malucelli, o líder. O Furacão, que joga o campeonato com uma equipe sub-23, é só o oitavo colocado, com 7 pontos. A partida foi jogada no Couto Pereira e teve tudo o que se espera de um clássico desse tamanho. Dentro de campo, é assim mesmo que deve ser. Fora dele, entretanto, antes de serem rivais, os clubes devem ser parceiros. Que bom que alguém finalmente compreendeu isso e topou dar o primeiro passo. Vamos torcer para que não pare por aí. Contudo, desde já, muito obrigado à dupla Atletiba e ao Paraná, que pode estar se tornando o estado pioneiro da revolução que culminará na tão sonhada independência do futebol nacional. Assim seja!