OPINIÃO

Ame o 7 a 1

08/07/2015 10:29 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02
ADRIAN DENNIS via Getty Images
A Brazilian fan reacts after the semi-final football match between Brazil and Germany at The Mineirao Stadium in Belo Horizonte during the 2014 FIFA World Cup on July 8, 2014. AFP PHOTO / ADRIAN DENNIS (Photo credit should read ADRIAN DENNIS/AFP/Getty Images)

O 7 a 1 foi lindo, maravilhoso e inesquecível. Em termos de Copa do Mundo, a melhor coisa que já vivi no futebol.

Já torci pro Brasil. Literalmente desmaiei depois que o Baggio perdeu aquele pênalti em 94. Em 98, morando na Europa, fiz a viagem mais louca da minha vida pra ir ver o jogo em Paris sem ingresso nem grana pra comprar um da mão de cambista. Fui sabendo que ia ter que acompanhar tudo de algum telão. Foi um inferno! Não consegui ver quase nada do jogo, tamanho era o tumulto. Gente pra todo lado, porrada comendo entre um grupo de árabes e a polícia, monte de garrafa voando pra lá e pra cá... Punk! Voltei aos tempos de Terceirona do Rio de Janeiro, quando viajava pela Baixada e interior do Estado pra acompanhar o Tupy de Paracambi na luta pela inédita - e alcançada - subida à Série B do Carioca.

Em 2002 não deu pra torcer muito. Até queria, mas uma infecção me derrubou e acabei acompanhando os jogos sem me envolver com o clima da Copa. Curti mais como observador do que como torcedor, mas ainda assim vibrei com aquele título.

A coisa começou a desandar em 2006. Por problemas que nada tinham a ver com futebol e muito menos ainda com o time do Parreira, já não estava com a cabeça muito boa pra acompanhar a Copa. Pra piorar, aquele clima de orgia que se instalou em Weggis e expôs uma delegação sem comando, ou, melhor dizendo, sem ordem. Uma desordem que se refletiu depois dentro de campo, como quase sempre acontece.

O antídoto encontrado pelo então presidente Ricardo Teixeira foi Dunga, o mesmo de agora, que caiu em 2010 depois de perder pra Holanda. Cai o Dunga, vem o Mano; cai o Mano, volta Felipão. Os caras com a caneta na mão, porém, são os mesmos. Ou quase os mesmos. Eles são os grandes autores da desordem, que juram não existir.

Os erros se repetem, assim como as justificativas e as ~soluções~. Nada melhora. Ao contrário, só piora. Tudo piora. E a cada novo revés, mais claro fica pra todos os que estão de fora que a baderna é geral. A credibilidade vai embora, o tesão vai embora e começa a aflorar a raiva, a vontade de ver quebrar a cara pra ver se então aprende.

O 7 a 1 completa um ano e só agora começa a ser compreendido pela maioria. Mas foi preciso aparecer o FBI e o Paraguai pra dar um empurrãozinho. O problema é que pra cada um empurrãozinho pra frente tem pelo menos dois pra trás. Pra cada 7 a 1, um "apagão" ou uma dona Lúcia; pra cada Marín, um Del Nero e um João Dória Junior; pra cada Paraguai, uma Comissão de Ações Extraordinárias com Lazaroni, Parreira, Zagallo, Candinho e até Ernesto Paulo(?) se reunindo pra discutir soluções pro FUTURO futebol brasileiro. Sério, não há quem aguente.

É, gente não aprende. A gente não, eles! Eles não aprendem. A gente já aprendeu. A gente já sabe exatamente o que se deve e, principalmente, o que NÃO se deve fazer pra que voltemos a ser de fato grandes no futebol. Mas a gente não pode fazer muita coisa. Resta torcer. Se for preciso, torcer até por mais gols da Alemanha. A casa já está cheia de rachaduras. Seria uma pena perder essa chance única de pôr abaixo de uma vez e começar a construir tudo de novo e tudo novo. Não sei quanto a vocês, mas logo mais, na hora de apagar a vela antes de cortar o bolo, vai ser esse o pedido que vou fazer.

Feliz aniversário a todos!

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