OPINIÃO

Mais Médicos, menos câncer?

18/02/2014 12:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Dr. Arthur Chioro, um petista leal e ex-diretor de saúde da cidade de São Bernardo do Campo, tomou o poder como novo ministro da Saúde recentemente com o objetivo de atingir a meta da Presidente Dilma Rousseff para melhorar a qualidade do Sistema Único de Saúde (SUS).

Chioro enfrenta um grande desafio devido ao aumento alarmante de pacientes com câncer.

Um novo estudo realizado pelo Ministério da Saúde e do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indica que haverá 576.580 novos casos de câncer este ano. Se essa estatística se mantiver estável, o Brasil terá 5,76 milhões de casos de câncer na próxima década (2014-2023).

O Ministério da Saúde vai gastar este ano R$ 4,5 bilhões em apoio a serviços de oncologia.

Os planos de seguros privados e o SUS podem gerir os custos? Ou será que os pacientes de renda média e suas famílias que dependem de serviços do SUS serão obrigado a comprar seguro de saúde suplementar? Não é barato.

Um estudo feito pelo Instituto Nacional do Câncer no EUA projeta que o custo do tratamento de câncer lá chegará a US$ 202 bilhões anualmente no ano 2020. Com os custos e número de pacientes com câncer em expansão no Brasil, o estudo representa um alerta para todos.

No Japão, Taro Aso, o ministro da Saúde, de tem 74 anos de idade, exortou os cidadãos para "apressar-se e morrer" para que o governo pudesse controlar os custos de saúde pública. Mais tarde, ele publicou um pedido de desculpas.

Com funcionários do governo olhando para as pessoas como unidades de capital humano, é difícil ajudar pessoas com câncer a partir da perspectiva da inclusão social.

Pesquisadores da Organização Mundial de Saúde (OMS) dizem que 30% dos casos de câncer em todo o mundo podem ser prevenidos por meio de programas de educação e de detecção precoce.

Por que não tornar a prevenção ao câncer uma política oficial do SUS, para então colocar o programa Mais Médicos na linha de frente contra o câncer? Prevenção do câncer, afinal, é uma parte da medicina de família.

A Presidente Dilma é um sobrevivente do câncer. O ex-presidente Lula também.

Agora, que é época da campanha eleitoral, será que eles precisam de um lembrete de que o tratamento do câncer a preços acessíveis deve ser entregue em tempo hábil para todos aqueles que desejam o serviço? E organizações como Amil e Unimed, precisam de um lembrete também?

Quando chegar a hora de votar, o povo vai lembrar. O Brasil deve ser "the best" contra o câncer.