OPINIÃO

Enem: eu aprendi que a prova é minha!

22/10/2015 15:28 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Por Pâmela Lacorte, 18 anos, moradora da Vila Granada

Me disseram que fazer Enem como treineiro seria fácil - "dá até pra gabaritar", "prova de nenem". Acreditei no que ouvi, mas quando cheguei lá, foi bem pior que eu imaginava.

Tinha uma prova imensa pra fazer e nem relógio eu podia usar pra organizar o tempo. Foi a primeira coisa que me deixou tensa.

As questões apareciam desordenadas, vinha uma de história e daqui a pouco geografia, elas tinham muitas linhas e tratavam de assuntos diferentes. Um vômito de questões que precisavam de uma alternativa - de preferência correta. Foi o segundo ponto que me deixou tensa.

O desespero ficou completo quando cheguei numa questão de história, uma das minhas matérias favoritas, e não entendi nada da pergunta. Lembro de revirar as páginas e não enxergar fim.

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Fiz parte da prova praticamente apavorada e ainda fui uma das últimas a entregar. Preencher o gabarito foi outro sufoco, já que não tinha a manha.

O dia da prova era aniversário da minha irmã e ainda tive de enfrentar a cobrança da família inteira durante a festa pensando "por favor, pergunta nada, não me faz lembrar".

Resultado: o que era pra ser um momento de ganhar confiança, acabou com qualquer segurança que eu poderia ter. Eu tinha ido bem mais ou menos no que era pra ser suave.

Pra valer

Quando fui fazer a prova pra valer, no ano seguinte, aquele conselho dos professores sobre não precisar me preocupar me fazia sentir justamente o contrário. Já tinha começado mal.

Com isso na cabeça, tinha estudado bastante no último ano da escola. Só que me encaixei lindamente no rótulo de estudante de humanas e desenvolvi resistência à qualquer coisa que envolvesse números.

Piorou a situação o fato de eu me cobrar.

Chegando no local da prova, tive uma recaída de insegurança no carro com meu pai: travei, chorei, era "muita coisa em jogo". Ele tentou me aclamar e lá fui eu de qualquer jeito.

Fui ao banheiro antes de entrar, lavar meu rosto e encontrei umas meninas. Pode ser cruel, mas me fez bem ver que o rosto delas também não era dos mais seguros.

Na sala, o fiscal da prova até brincou comigo. Acho que foi a minha cara de desespero.

Tremi um pouco na base quando entregaram a prova. Rolou a indecisão de sempre sobre por onde começar, mas lembrei de começar fazendo o que eu mais tinha facilidade e também consegui organizar meu tempo.

Só que, de novo, a cobrança me pegou. Vinha na minha cabeça que eu deveria ter mais certeza e isso atrapalhou meu tempo e rendimento também. No geral, fui melhor que da primeira vez.

Redução de expectativa

O Enem é uma prova difícil de se fazer. Não apenas pelos conteúdos cobrados, mas porque são dois dias pra teoricamente medir o que você sabe.

Entendi que prova é minha, mas também sei que vai rolar comparação com a galera - principalmente até sair o resultado, o que leva quase dois meses. Só que não adianta entrar nessa.

As questões não têm uma pontuação fixa, então não dá pra olhar os erros e acertos e calcular a nota sozinho.

Criar expectativas faz a gente se cobrar demais, só que subestimar a prova também atrapalha. Conclui que não devo esperar nada.

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