OPINIÃO

Marina Silva apresenta projetos frágeis e recua em relação aos direitos gays

01/09/2014 17:19 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02
Getty Images
(FILE) Marina Silva, presidential candidate for the Green Party (PV), speaks during a press conference in Sao Paulo, Brazil, on October 1, 2010. AFP PHOTO/Mauricio LIMA (Photo credit should read MAURICIO LIMA/AFP/Getty Images)

É como se um terremoto de grande magnitude tivesse abalado a cabeça de parte do eleitorado brasileiro. De uma hora para outra, Marina Silva, que substituiu o ex-governador pernambucano Eduardo Campos, morto em acidente aéreo, como candidata à presidenta pelo PSB, virou favorita na sucessão presidencial.

Após a morte de Eduardo Campos, dia 13 de agosto, Marina subiu como um foguete nas pesquisas eleitorais. Em levantamento mais recente, feito pelo "Datafolha", Marina empata com Dilma no primeiro turno, ambas com 34%. Se houver segundo turno, segundo a mesma pesquisa, ela venceria a atual presidenta por 50% a 40%.

Ao mesmo tempo em que Marina (foto) se torna favorita, vai deixando atrás dela um rastro de um dos maiores oportunismos eleitorais que já se viu nas últimas eleições presidenciais no Brasil. Marina tem feito de tudo para agradar determinados setores da sociedade, mesmo que suas propostas sejam falsas.

O último sinal do "carreirismo" eleitoral de Marina ocorreu neste sábado (30/8). Em menos de 24 horas, mudou radicalmente a proposta apresentada na véspera sobre direitos gays. Em seu programa de governo, defendeu casamento gay, adoção de crianças por homossexuais e lei para criminalizar a homofobia.

Mas bastaram declarações contrárias do influente e conservador pastor evangélico Silas Malafaia, contra leis que criminalizem a homofobia, para que a candidata voltasse atrás. Diante da ameaça de Malafaia, retirou quase tudo o que estava antes no seu programa de governo referente aos direitos dos gays.

O recuo de Marina em relação aos gays demonstra, acima de qualquer peso do tema junto à sociedade brasileira, que é falso e puramente oportunista o discurso da candidata quando quer o apoio de determinados segmentos sociais. Para conquistar o apoio dos gays, ela abraçou suas propostas. Diante da reação evangélica, mudou rapidamente de opinião. Afinal, de que lado está Marina?

Apoio do agronegócio

Outros sinais de ambiguidade no discurso de Marina já haviam sido percebidos em sua tentativa de apoio do agronegócio. Na entrevista que deu ao Jornal Nacional, da Rede Globo, durante a semana, Marina havia atribuído a uma "lenda" a versão de que ela tinha posição contrária à agricultura transgênica.

O Brasil está caindo de saber que Marina sempre foi contra a agricultura transgênica - usada em larga escala em todo o mundo, mas sempre contestada por ambientalistas. Pois na mesma semana da entrevista à Globo, Marina se encontrou com o agronegócio como se sempre defendesse os transgênicos.

Mais do que fazer fortes afagos com os milionários empresários do setor do agronegócio, Marina foi mais longe ao dizer que não priorizaria, caso seja eleita, a política do atual governo de investimento no pré-sal, que pode fazer com que o país se torne um dos maiores produtores de petróleo do mundo.

Ao se manifestar contra o pré-sal, Marina quis agradar o agronegócio com a promessa de investir mais na produção do álcool combustível e de ter uma política de melhores preços para o setor. Ocorre que, com esta sua proposta, Marina, caso seja eleita, pode matar um dos negócios que mais podem trazer dinheiro para o Brasil. E o Brasil não pode jogar esta riqueza fora.

Somente em 2014, a exploração do pré-sal - petróleo extraído em águas profundas do mar, abaixo da camada do pré-sal - já levou a Petrobrás a extrair em média mais de 500 mil barris diários de petróleo. Esta produção de petróleo, que vai trazer extraordinária riqueza para o Brasil, promete agora ser deixada de lado por Marina. É como se ela enterrasse um grande tesouro.

Marina é assim mesmo. Ao mesmo tempo em que ganha votos e aparece como favorita, ela deixa muito a desejar na autenticidade do que fala e prega. Em outras propostas para o setor econômico e financeiro, ela abriu outro foco de atritos com o candidato Aécio Neves (PSDB), que acusa de plagiar seu programa de governo, em especial os temas econômicos e financeiros.

Texto publicado originalmente no blog noBalacobaco.

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.


Para saber mais rápido ainda, clique aqui.

MAIS ELEIÇÕES NO BRASIL POST:

Quem são os candidatos à Presidência