OPINIÃO

O problema não é só a carne. Conheça a triste realidade dos ovos no Brasil

Mais de 95% das cerca de 100 milhões de galinhas usadas na produção industrial de ovos passam suas vidas inteiras enclausuradas em gaiolas.

28/03/2017 13:42 -03 | Atualizado 28/03/2017 17:01 -03
Wikimedia
Para produção de ovos industriais, galinhas são mantidas em gaiolas.

Quando o consumidor compra seus produtos de grandes redes e empresas do setor alimentício, muitas vezes não imagina o que está por trás do sistema de produção daquele alimento.

Muito tem se falado a respeito da carne, por conta do recente escândalo da Operação Carne Fraca, envolvendo grandes marcas do segmento frigorífico brasileiro, como JBS e BRF.

Mas a verdade é que os absurdos da indústria da produção animal não param por aí. Pouco se comenta, por exemplo, sobre a crueldade que envolve a produção de ovos baseada no confinamento de galinhas nas gaiolas em bateria.

No Brasil, mais de 95% das cerca de 100 milhões de galinhas usadas na produção industrial de ovos passam suas vidas inteiras enclausuradas nesse sistema. Cada gaiola mantém de cinco a dez animais juntos e fornece um espaço menor do que uma folha de papel A4 para cada ave, de forma que elas passam a vida inteira sem poder caminhar ou somente conseguindo abrir suas asas.

Muitas vezes, por conta do empilhamento, as galinhas acabam por excretar umas sobre as outras. Doentes, muitas não sobrevivem, ou vivem à base de antibióticos.

E as que restam nesse ambiente hostil podem conviver com os cadáveres das mais fracas, em estado de decomposição. Poucas pessoas no Brasil sabem, mas essa é a origem da maioria dos ovos que nós comemos.

Esforços de diversas ONGs de proteção animal estão levando grandes empresas a adotarem políticas de sustentabilidade que eliminam o uso de ovos produzidos em gaiolas no Brasil.

A mais recente delas é a Barilla, líder global na produção de macarrão, que recentemente assumiu considerar o confinamento em gaiolas como uma prática prejudicial ao bem-estar animal, comprometendo-se a eliminar esse sistema progressivamente de sua cadeia de fornecimento até 2020.

Outras são McDonald's, Burger King, Subway, BBFC (Bob's, Doggis, Pizza Hut e KFC), Grupo Trigo (Spoleto, Domino´s Pizza e Koni Store), Giraffa's, Unilever (fabricantes das maioneses Hellmann's e Arisco), Cargill (fabricante das maioneses Liza e Maria), Grupo Bimbo (dono das marcas Pulmann e Ana Maria), International Meal Company (dona das redes Vienna e Frango Assado), Sodexo e GRSA. No entanto, infelizmente, outras grandes empresas como o varejista Grupo Pão de Açúcar e as cafeterias Casa do Pão de Queijo ainda estão resistindo a adotar esse comprometimento ético.

As gaiolas em bateria são tão cruéis que já foram proibidas em diversos países como os da União Europeia, Nova Zelândia, Butão e seis estados dos EUA.

Em sistemas livres de gaiolas (cage-free em inglês), ao invés de viverem em gaiolas apertadas, as galinhas vivem em galpões – com ou sem acesso a áreas externas para pastorearem. Nesses sistemas, elas podem realizar diversos comportamentos naturais que são importantes para o bem-estar da espécie como caminhar, ciscar, botar ovos em ninhos, tomar banhos de areia e empoleirar-se.

As empresas brasileiras podem fazer uma grande diferença ao começarem esse movimento no País por meio da adoção de sistemas que não usam gaiolas.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Akatu revela que 87% dos brasileiros não querem ver maus-tratos na produção animal. Esperamos que o setor corporativo como um todo venha ao encontro dessa demanda.

E, como consumidor, você também pode expressar seu apoio ao fim das gaiolas acessando as campanhas direcionadas ao Pão de Açúcar e à Casa do Pão de Queijo.

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública.

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