OPINIÃO

É hora de proibir o aluguel de cães de guarda em São Paulo

01/06/2015 18:20 BRT | Atualizado 26/01/2017 22:19 BRST
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rottweiler

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, receberá em breve a responsabilidade de sancionar ou não o projeto de lei de número 55/2015, que proíbe a utilização de cães por empresas de segurança patrimonial privada e de vigilância, para fins de guarda, aprovado no dia 12 de maio pela Câmara de Vereadores da cidade.

Algumas empresas que atuam no âmbito do município de São Paulo se utilizam desse nicho aparentemente bastante rentável, o aluguel de cães, a fim de oferecer um serviço 'mais em conta' ou seja, um meio bem mais lucrativo de prover a segurança de terrenos, obras, construções e estabelecimentos diversos. Uma pesquisa rápida na internet provê o dado de que o valor da diária para esse serviço se inicia em trinta reais e que pacotes mensais podem ser contratados por trezentos reais.

A atividade vem sendo amplamente questionada devido às situações a que os animais vigilantes estão expostos - tais como envenenamento, espancamento ou mesmo à morte por arma de fogo. E o pior: sem possibilidade real de defesa. Além disso, não existem informações concretas sobre os locais e as condições em que são mantidos quando não estão trabalhando. Essa atividade exploratória já está proibida nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Tratados como mercadoria, cães são seres sencientes que têm, como nós, inteligência, memória e sensibilidade ficam suscetíveis a condições adversas que vão desde fome, sede e treinamento cruel, até negligência ou abandono quando doentes. Se pensarmos que o valor cobrado já é relativamente baixo e que as empresas visam o lucro, qual seria o valor destinado à manutenção de condições mínimas de dignidade para esses animais? Infelizmente, não é difícil fechar essa conta.

Um outro aspecto a ser ressaltado é que tal atividade influencia a empregabilidade no setor de serviços de segurança e vigilância. Não sendo remunerados nem fazendo demandas trabalhistas, os seguranças de quatro patas acabam ocupando o lugar de um vigilante humano, o que pode agravar ainda mais a situação de desemprego no País.

Dados todos os motivos listados acima, o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, maior rede de proteção animal do Brasil, espera que Haddad saia em defesa da compaixão animal e sancione este projeto. Também esperamos que esse gesto inspire outros municípios e estados a adotar a mesma iniciativa.