OPINIÃO

Brasil começa mudança para uma produção de ovos menos cruel

A vida das galinhas poedeiras é de tortura: clausura, cadáveres e excremento.

23/06/2017 12:52 -03 | Atualizado 23/06/2017 12:56 -03
NurPhoto via Getty Images
Mais de 95% das galinhas usadas na produção industrial de ovos no Brasil passam suas vidas inteiras enclausuradas em gaiolas em bateria.

Já imaginou algo pior que ser forçado a viver em um apartamento minúsculo, lotado, algumas pessoas já mortas e em decomposição, onde você não conseguiria sequer esticar seus braços ou caminhar? E ainda com mais pessoas no andar de cima excretando em você por meio de um piso vazado? É assim que vivem a maioria das 100 milhões de galinhas usadas para produzir ovos no Brasil. Mas a boa notícia é que isso está começando a mudar.

A vida das galinhas poedeiras é de tortura. Mais de 95% das galinhas usadas na produção industrial de ovos no Brasil passam suas vidas inteiras enclausuradas em gaiolas em bateria. Nessas gaiolas, as aves vivem tão apertadas que não podem sequer se virar ou abrir as asas. Cada unidade confina de 5 a 10 animais juntos e fornece um espaço menor do que uma folha de papel A4 para cada ave.

Devido às difíceis condições, muitas delas não sobrevivem. As que conseguem viver, frequentemente são forçadas a continuar entre os restos das que morreram, às vezes em decomposição. O empilhamento das gaiolas também pode resultar em aves excretando umas sobre as outras.

Diante da demanda dos consumidores e esforços de ONGs de proteção animal, diversas grandes empresas já adotaram políticas de sustentabilidade para eliminar esse sistema cruel de suas cadeias de fornecimento.

Elas incluem: Unilever (que fabrica as maioneses Hellmann's e Arisco), Cargill (fabricante das maioneses Liza e Maria), Grupo Bimbo (dono das marcas Pullman e Ana Maria); e algumas das maiores empresas do fastfood como McDonald's, Burger King, Subway, Bob's, Spoleto, KFC, Pizza Hut, Giraffa's, Frango Assado e Viena.

Alguns sistemas não usem esse meio - cujos ovos são rotulados como livre-de-gaiola, caipira ou orgânico - e mesmo assim não são livres de sofrimento ou crueldade. Mas se eles bem administrados, eles têm o potencial de reduzir significativamente o sofrimento dos animais.

Neles, ao invés de se apertarem em gaiolas pequenas, as galinhas vivem em galpões – com ou sem acesso a áreas externas para pastorear. O acesso à área externa, presente nos sistemas caipira e orgânico, é a condição mais adequada para a criação.

Nesses sistemas, ainda que os fatores que causam estresse e sofrimento não sejam totalmente eliminados, as galinhas podem ter comportamentos naturais que são importantes para o bem-estar da espécie como caminhar, ciscar, botar ovos em ninhos, tomar banhos de areia e empoleirar-se.

E isso também tem implicações positivas para a segurança dos alimentos. No estudo mais completo já realizado a respeito, a União Europeia constatou que o risco de contaminação por salmonella é até 25 vezes maior em sistemas de gaiolas, do que em sistemas livres de gaiolas. A contaminação por salmonella é a causa principal de intoxicações alimentares e mortes relacionadas a elas no Brasil. E os ovos são umas das principais fontes de intoxicações alimentares em humanos.

Já passou da hora de o setor de supermercados também aderir a esse movimento. Uma campanha do Fórum Animal, maior rede de entidades de proteção animal no Brasil, pede que o Grupo Pão de Açúcar assuma a liderança e adote uma política de somente vender ovos produzidos sem gaiolas em suas operações - que incluem as redes Pão de Açúcar, Extra e Assaí.

A empresa já está ciente da demanda, mas ainda não anunciou uma política de transição. Como consumidores conscientes, todos nós podemos exercer nosso papel nesse processo de mudança. Acesse o site da campanha e participe. Os animais e a saúde humana agradecem.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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