OPINIÃO

Avanço: São Paulo e Paraná caminham em sentido à proibição do foie gras

08/06/2015 17:29 BRT | Atualizado 26/01/2017 22:25 BRST
FREDERICK FLORIN via Getty Images
An employee force-feeds a duck on November 18, 2014 at a foie gras manufacture in the eastern French town of Soultz les Bains. AFP PHOTO/FREDERICK FLORIN (Photo credit should read FREDERICK FLORIN/AFP/Getty Images)

Nas últimas semanas várias aprovações de projetos de lei trouxeram um alento no que diz respeito à luta contra a utilização de um dos métodos mais desumanos e cruéis para se obter um produto de origem animal: o foie gras, ou patê de fígado gordo.

Os vereadores de São Paulo aprovaram o projeto de Lei 537/2013, que proíbe tanto a produção como a comercialização de foie gras na cidade. Agora, falta somente a sanção do prefeito Fernando Haddad para que o projeto se torne lei. Nos estados de São Paulo e do Paraná, projetos de lei bastante similares também foram aprovados pela Comissão de Constituição Justiça e Redação e Comissão de Constituição e Justiça, respectivamente. Esses três projetos ainda não se tornaram leis, mas tais aprovações já podem ser consideradas grandes vitórias.

Foie gras é uma expressão francesa que denomina uma iguaria de preço elevado cujo método de produção condena patos, gansos e marrecos adultos a condições extremamente cruéis de confinamento e alimentação. O que gera o 'famoso produto' é, na realidade, o fígado hiperdilatado dos animais, que adquire um tamanho até dez vezes maior que o natural. Para que isso aconteça, realiza-se a alimentação forçada, onde cânulas são enfiadas nas gargantas dos animais, através das quais se injeta uma pasta gordurosa. As aves frequentemente também são confinadas em gaiolas minúsculas onde mal podem movimentar-se e costumam apresentar infecções severas devido ao contato com o metal das gaiolas.

O processo, comprovadamente doloroso e que pode levar de duas a quatro semanas, já foi abolido em pelo menos quinze países - tais como Alemanha, Itália, Suíça, Dinamarca, Polônia, Suécia, Áustria, Finlândia e Israel. Os avanços na cidade de São Paulo e nos estados de São Paulo e Paraná comprovam que o Brasil está caminhando para entrar nessa lista. Simplesmente, não há justificativas para que uma atividade tão truculenta que gera uma morte lenta e penosa seja permitida.

Em 2004, Paul McCartney intercedeu e fez um apelo ao então governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, para que este assinasse a lei que viria a proibir a comercialização do patê naquele estado: "Tenho certeza de que seus sentimentos naturais de compaixão vão encorajá-lo a assinar essa lei", disse o ex-Beatle. Hoje, nós, do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal (FNPDA), maior rede de proteção animal do Brasil, convidamos o prefeito de São Paulo Fernando Haddad a também exercer sua compaixão natural e a sancionar a proibição da produção e comercialização desse produto de luxo que serve apenas para alimentar vaidades.

Aqueles que se sensibilizarem com a causa também podem pedir que Haddad faça o mesmo ao assinar uma petição criada pelo FNPDA em parceria com a Sociedade Vegetariana Brasileira, que está disponível no link www.change.org/foiegrasnao.