OPINIÃO

3 importantes razões para comemorar o Dia Mundial dos Animais nas eleições

03/10/2014 20:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02
Reprodução

O Dia Mundial dos Animais é celebrado todos os anos no dia 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis, padroeiro dos animais. Coincidentemente, no Brasil, a data é véspera do primeiro turno das eleições 2014. Dessa forma, convido você, leitor, a fazer uma associação entre essas duas datas importantes. Mas também vou além, apresentando aqui argumentos que fogem do usual foco da simples, porém extremamente digna, compaixão pelos animais - seres sencientes que, como nós, também sentem dor, medo, estresse, tristeza ou alegria.

1. Segurança Pública

Na semana passada, o FBI (Agência Federal de Investigação dos EUA) deu um passo importante nesse sentido. A entidade passou a reconhecer crimes de violência contra animais como "crimes contra a sociedade". A medida faz sentido, pois diversos estudos conduzidos nos EUA revelam que a violência contra animais está estritamente ligada a casos de violência doméstica, e que assassinos em série muito frequentemente cometem sérios atos de violência contra animais antes de mudar seu alvo para seres humanos.

No Brasil, um estudo amplo realizado sobre o assunto também é claro: das pessoas analisadas que cometeram crimes com animais, 32% também cometeram outros tipos de crime. O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal (FNPDA) participa do movimento "Crueldade Nunca Mais", que pede que penas para crueldade contra animais sejam devidamente ajustadas no Brasil. Ao mesmo tempo, também defendemos a inclusão do tema respeito à vida animal no currículo obrigatório do ensino no Brasil, dessa forma, potencialmente prevenindo a violência contra animais e contra humanos.

2. Saúde Pública

O consumo per capita atual de carnes no Brasil - somente considerando as carnes bovina, suína e de frango, excluindo peixes - é de cerca de 261 gramas por dia (ou 95,4 kg por ano), uma quantidade alarmantemente, mais do que duas vezes maior do que a quantidade recomendada pelo próprio Ministério da Saúde, que é de 100 gramas diárias. O consumo excessivo de proteína animal contribui de forma negativa para muitas das doenças crônicas que assolam nossa sociedade, como obesidade, doenças cardíacas, diabetes, acidentes cardiovasculares e hipertensão. Governos recentes parecem fugir dessa temática, com o plano irresponsável de promover o Brasil como potência mundial em produção de proteína animal. Pela nossa saúde e pelo fim de modelos de produção animal extremamente abusivos, já passamos da hora de colocar esse assunto seriamente na pauta política.

3. Meio ambiente

O Brasil está entre os cinco maiores emissores mundiais de gases de efeito estufa, sendo que 61% dessas emissões são resultantes de mudanças no uso da terra e desmatamento. Cerca de 70% das áreas desmatadas na Amazônia foram convertidas em pastos, enquanto os restantes 30% são usados principalmente para produzir ingredientes para ração animal. O controle do desmatamento certamente deve incluir uma redução do consumo global de proteína animal, fato reconhecido até mesmo por importantes instituições internacionais, como a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura).

Além disso, o setor de produção animal também é um dos maiores consumidores dos já escassos recursos hídricos, sendo responsável por cerca de 30% do consumo de água de todo o setor agropecuário. Ademais, em sistemas de produção animal industrial, milhares de animais são confinados em espaços fechados e produzem uma quantidade de dejetos que pode exceder a capacidade de absorção do solo e contaminar cursos de água ao redor dessas áreas. Dentre eles, o mais problemático é a produção de suínos. Cada porco gera uma quantidade de dejetos quatro vezes maior do que um ser humano. Embora um tema tão sem apelo como esse não seja pauta política, segundo a própria Embrapa, o crescimento acelerado de granjas suínas no estado de Santa Catarina, maior produtor nacional, é tão sério que "não existe uma solução em curto prazo" para ele.

Como votar pelos animais

O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal (FNPDA) enviou uma carta que pedia respostas oficiais dos candidatos à presidência sobre esses e diversos outros temas que são considerados urgentes pelas mais de 100 ONGs de proteção animal que fazem parte da nossa coalização no Brasil. Apenas o candidato Eduardo Jorge respondeu a nosso pedido, e, inclusive ele aborda muitos desses pontos em seu programa oficial de governo.

No entanto, existem candidatos a senador, governador, deputado estadual e deputado federal que levam o tema da proteção animal em suas bandeiras de atuação política - como Ricardo Tripoli, Feliciano Filho e Roberto Tripoli, em São Paulo - assim como outros candidatos em diversos estados. Se você se importa com essa causa, confira se os seus candidatos estão devidamente antenados a essas questões. Visite as páginas deles e procure a menção aos animais em suas propostas e suas atuações em trabalhos anteriores. Os animais não votam, mas você ainda tem tempo de votar por eles.

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