OPINIÃO

Ebola: o desafio de cuidar dos 13 mil sobreviventes

10/08/2015 13:38 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
OMS

A Organização Mundial da Saúde, OMS, disse que procura dar uma atenção completa aos sobreviventes do ebola. Mais de 13 mil pessoas conseguiram se recuperar da doença na Guiné, na Libéria e na Serra Leoa.

A capital liberiana Freetown acolheu esta semana um grupo de cientistas, especialistas e técnicos de saúde que abordaram as investigações para melhorar o atendimento clínico e o bem-estar dos sobreviventes.

Os sinais comuns após a recuperação incluem graves dores nas articulações e problemas visuais que podem levar à perda da visão. Há registros de fadiga grave, dores de cabeça, falta de concentração e problemas de saúde mental.

As Nações Unidas calculam que são necessários mais de US$ 7,2 bilhões para os planos de recuperação da região mais afetada pelo surto, que começou em dezembro de 2013.

A agência da ONU reconheceu, entretanto, que existem "dados muito limitados sobre os tipos e a frequência" desses casos ou das melhores práticas para gerir o estado dos ex-pacientes.

O representante da OMS para a Serra Leoa reconheceu que nunca houve um grande número de sobreviventes. Anders Nordstrom declarou que é uma "responsabilidade única e importante" cuidar e apoiar aos que estão se restabelecendo para que tentem voltar a ter uma vida normal.

Para ele, sair dos centros de tratamento é apenas o princípio porque os países afetados pela doença também têm um longo caminho para a recuperação.

Os médicos, epidemiologistas e outros profissionais de saúde pública falaram de experiências no terreno, das lacunas nos serviços e na infraestrutura necessária para lidar com casos dos sobreviventes.

O plano é criar grupos de pessoas em recuperação, melhorar o acesso aos cuidados, partilhar dados das pesquisas em curso e identificar lacunas de conhecimento.

O chefe da equipe de atendimento clínico da OMS, Daniel Bausch, disse que as pessoas devem ser apoiadas não apenas para se restaurar "mas também para prosperar". Ele considera a situação uma emergência dentro da outra.

Nordstrom afirmou que é urgente a construção de serviços para cuidar dos sobreviventes: Por outro lado, explicou que todos os países afetados também estão de alguma forma se restabelecendo e precisam construir seus sistemas de saúde.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: