OPINIÃO

Técnica ligada à energia nuclear pode ajudar a combater o zika

10/02/2016 17:06 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

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Mosquitos em laboratório. Foto: FAO

A Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, pode ajudar a comunidade internacional no combate ao vírus zika atingindo o mosquito transmissor, o Aedes aegypt.

Em entrevista exclusiva à Rádio ONU, o vice-diretor do departamento de Ciências e Aplicações Nucleares da Aiea, Aldo Malavasi, explicou como funciona a técnica chamada "inseto estéril".

Laboratório

Ele disse que a agência cria milhões de mosquitos em laboratório, onde só os machos são aproveitados. Os insetos são esterelizados com raios X ou com raios Gama.

Malavasi disse que a radiação arrebenda o material genético. Segundo ele, o espermatozoide é perfeito do ponto de vista fisiológico, mas tem um dano cromossômico e com isso é inviável.

Depois do processo de esterelização ter sido completado, Malavasi disse que os cientistas liberam uma quantidade muito grande desses insetos na natureza, um número muito maior do que os insetos chamados "selvagens" que já estão no meio ambiente.

Probabilidade

O diretor disse que usando mera probabilidade, os mosquitos fêmeas vão acabar acasalando com os insetos criados pela Aiea, já que eles são em maior número.

Malavasi disse que essa técnica também pode ser usada contra outros insetos, como a mosca Tsé-Tsé, que causa a doença do sono nas pessoas e mata os animais.

Microcefalia

A Organização Mundial da Saúde ainda não sabe porque os casos de microcefalia estão concentrados no Brasil. A agência da ONU busca entender a situação e em Genebra, o porta-voz Christian Lindmeier explicou que são necessárias muito mais pesquisas.

Sobre os bebês que nasceram com microcefalia no Brasil, ele explicou que é difícil estabelecer o que ocorreu há nove ou há 10 meses.

Transmissão

Segundo Lindmeier, não se sabe o que afetou as grávidas no primeiro trimestre da gestação ou até mesmo antes, durante a concepção. Por isso é importante descobrir se o zika é mesmo o único responsável pela microcefalia.

O porta-voz da OMS confirma que o vírus já foi encontrado no sangue e no sêmen, mas as condições da transmissão ainda não estão completamente claras. Os pesquisadores buscam descobrir, por exemplo, por quanto tempo após a infecção o zika pode ser transmitido para outra pessoa.

Síndrome

A OMS também pede cautela sobre a associação entre o vírus e a síndrome de Guillan-Barré. A agência declarou o zika uma situação de emergência para a saúde pública exatamente para promover mais pesquisas.

A Colômbia registrou 20 mil casos de zika e 100 casos de Guillain-Barré, síndrome já confirmada também no Brasil, em El Salvador e na Polinésia Francesa.

A agência da ONU e parceiros estão formulando recomendações para evitar a transmissão do zika vírus e investindo em pesquisas sobre a produção de medicamentos e vacina.

Financiamento

A Cruz Vermelha lançou um apelo financeiro de US$ 2,4 milhões para apoiar os países afetados pelo zika. O dinheiro é importante para os trabalhos de controle do mosquito e para reduzir os riscos associados ao vírus.

Controlar o mosquito Aedes aegypti e evitar focos de reprodução, como água parada, continua sendo a melhor forma de combater o zika e a dengue. As pessoas devem utilizar repelentes e roupas apropriadas para evitar a picada, como calças e camisas de manga comprida.

FAO

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, anunciou que está preparada para contribuir com os esforços internacionais contra o vírus zika.

O diretor-geral da agência da ONU afirmou que a FAO está preparada para "fazer o que lhe compete para dar uma resposta imediada à emergência", que continua se alastrando em dezenas de países.

O brasileiro José Graziano da Silva explica que a FAO é a principal agência da ONU para as áreas de saúde animal e controle de pragas. Por isso, a agência tem todas as condições de fornecer assistência aos países afetados pelo zika vírus.

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