OPINIÃO

Avanço de grupos extremistas em redes sociais preocupa ONU

08/06/2015 18:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:25 -02
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Um evento na sede da ONU, em Nova York, discutiu o papel da mídia no combate ao terrorismo. O fórum foi organizado pela Liga dos Estados Árabes.

No encontro, o subsecretário-geral para Assuntos Políticos falou sobre a preocupação das Nações Unidas com o crescimento de grupos extremistas violentos como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, Al-Shabaab e Boko Haram.

Inegável

Jeffrey Feltman afirmou que é "inegável" que estes grupos representam uma "séria ameaça" à paz e à segurança internacionais.

O subsecretário-geral disse ser também "inegável" o uso "eficaz" das mídias sociais por estes grupos para "espalhar propaganda e recrutar jovens homens e mulheres de todas as regiões do mundo como combatentes terroristas estrangeiros".

Em um evento na última sexta-feira no Conselho de Segurança, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou que o fluxo mundial de terroristas estrangeiros aumentou 70% entre meados de 2014 e março deste ano.

Valores

O chefe da ONU afirmou, na ocasião, que segundo a equipe de monitoramento das sanções ao grupo Al-Qaeda, mais de 25 mil terroristas estrangeiros de mais de 100 países-membros se juntaram ao Daesh, denominação em árabe do Isil, e a outros grupos extremistas.

Eles saíram de seus países de origem para lutar na Síria, no Iraque e também no Afeganistão, no Iêmen e na Líbia.

No fórum, o subsecretário-geral disse que a questão é uma preocupação global. Segundo ele, com sua mensagem de ódio, "extremistas violentos agridem diretamente a legitimidade da Carta das Nações Unidas e os valores de paz, justiça e dignidade humana em que se baseia o documento e as relações internacionais".

Redes Sociais

Para Jeffrey Feltman, há um terceiro aspecto "inegável": as "mensagens manipuladoras de extremistas violentos no Twitter, no Youtube e em outras mídias sociais são atraentes para os jovens em busca de aventura".

Feltman afirmou que "há quase 50 mil contas no Twitter apoiando o Isil, com uma média de mil seguidores cada".

Segundo o subsecretário-geral, eles "têm sucesso dando aos jovens oportunidades de se envolverem com seus pares e oferecendo um espaço onde as pessoam podem se unir sobre suas queixas, esperanças e desejos por um mundo que acreditam que seria justo".

O representante da ONU mencionou que governos estão disseminando argumentos mais moderados. No entanto, segundo ele, os jovens não estão procurando moderação, "eles estão buscando ideias visionárias que capturem sua imaginação e ofereçam mudança tangível".

Feltman afirmou que a comunidade internacional precisa desenvolver uma visão clara e comunicá-la. Para ele, é preciso uma resposta "global, coletiva e autêntica que envolva as pessoas a combater e prevenir estas mensagens extremistas, que defendem e promovem violência e destruição".

Feltman disse também que é preciso mostrar que as palavras e os valores da comunidade internacional permitem que as pessoas alcancem suas aspirações de dignidade e prosperidade.

Plano de Ação

O secretário-geral da ONU anunciou sua intenção de apresentar um plano de ação para prevenir o extremismo violento à 70ª Assembleia Geral neste ano.

Segundo Feltman, "chegou a hora da comunidade internacional dar atenção à prevenção do extremismo violento" e isto inclui uma estratégia global de comunicação envolvendo redes sociais, governos e sociedade civil.

Ele defendeu que as ações devem ir além dos governos e incluir líderes religiosos, comunitários, jovens, mulheres, além de líderes nas áreas de cultura, música, negócios e esportes.

Mídia Mundial

Para Feltman, também é preciso o apoio da mídia mundial e trabalhar de forma conjunta com parceiros das redes sociais e da imprensa tradicional.

O subsecretário-geral afirmou que é importante pensar como é possível melhorar a liderança e a governança.

O cumprimento integral da lei internacional é essencial para o sucesso. Feltman disse ainda ser preciso respeitar e promover liberdades de expressão e de informação.

Ele disse que os povos das Nações Unidas "devem se unir para paz, para justiça e para dignidade".

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