OPINIÃO

Repórter vai às ruas pedir 1 minuto da sua atenção. Como as ONGs funcionam?

11/01/2016 15:48 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Em quase todas as grandes metrópoles, às vezes o galo ainda nem cantou e você já está de pé prensado dentro do busão, trem ou metrô (pagando quase 4 reais e se perguntando cadê o open bar de Aperol, gin, whisky e catuaba). Não importa o quanto acorde cedo, você sempre estará atrasado para fazer alguma coisa.

Não tá fácil nem pra quem se locomove de carro particular ou Uber, pois mesmo rezando, nem o Santo Waze consegue fazer milagres. Uma vez o app quase me mandou "cortar caminho" pela Marginal Pinheiros. Deusôlivre!

Um dia tem apenas 24h, mas tem banco que faz publicidade dizendo que te atende por 30 horas, afinal, tempo é dinheiro.

Como todo mudo sabe, um minuto é um tempo muito precioso. Aí, imagine que você está caminhando ouvindo música com o fone de ouvido, ou falando no celular, ou atrasado, ou segurando um guarda-chuva, ou embaixo da chuva ou simplesmente andando tentando se deslocar do ponto A até o ponto B entre as ruas.

Eis que surge na sua frente alguém propondo que você faça uma doação, responda uma pesquisa, assine uma petição ou algo do tipo. Parece um pouco invasivo?

Tente contabilizar quantas e quantas frases do tipo "Agora eu não posso", "Não, não. Obrigado!", "Tô ocupado", "A gente já se falou ontem, lembra?" são pronunciadas diariamente para quem tenta abordar os apressados que caminham pela Avenida Paulista, estações de trem ou metrô e demais localidades com grande circulação de pessoas.

Teve uma tarde que eu passei andando na frente do Parque Trianon e, antes que eu pudesse desviar de um grupo de pessoas vestidas com os coletes do Greenpeace, um rapaz brotou na minha frente (talvez com a força de uma árvore que acabara de receber uma doação):

- Opa, posso falar 1 minutinho com você?

- Poxa, tô super atrasado.

- Você já conhece o trabalho do Greenpeace?

- Hum, já! Pela internet. Inclusive, posso fazer uma doação por lá, não?

- Ah, até pode. Mas me ajuda aqui com as metas, vai.

Opa, metas? Sim, metas, valores, vendas.

Quem te aborda pedindo esse tipo de contribuição nas ruas, em sua maioria, são profissionais treinados pra te convencer a fazer doações financeiras a partir de um storytelling altamente emotivo.

Animais em extinção, florestas devastadas, crianças que sofreram abusos, pessoas em situação de miséria e, infelizmente, muitas outras tristes histórias que acometem o mundo.

Esses profissionais são chamados de "captadores de doadores" e a abordagem na rua é denominada face-to-face, ou, cara a cara (livremente traduzido do inglês).

Ao invés de você procurar um produto ou serviço, ele é que é oferecido diretamente pra você.

[Continue lendo aqui]

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS:


ETC: