OPINIÃO

Os remédios para a terrível doença da homossexualidade

As pessoas só se sentem desconfortáveis com sua orientação sexual porque a sociedade, de alguma maneira, mostra que isso não é o que ela espera de você.

19/09/2017 15:12 -03 | Atualizado 19/09/2017 15:13 -03
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Talvez aquela famosa tirinha em que o macaco voltava da evolução dizendo que a espécie deu errado começa a fazer um pouco de sentido.

"Doutor, acho que eu estou com o Gay Vírus. Na verdade, estou assim desde que comecei a gostar da Anitta. Quando a Lady Gaga cancelou o show, fiquei muito mal, tive febre, dor de cabeça. Até achei que fosse dengue. Mas uma dúvida, o SUS cobre?"

Não preciso estar com "esta doença" para saber que começamos a andar pra trás na evolução humana. Talvez aquela famosa tirinha em que o macaco voltava da evolução dizendo que a espécie deu errado começa a fazer um pouco de sentido. O desejo retrógrado de psicólogos e o apoio nonsense de um juiz podem colocar a perder todo o avanço e autonomia de uma classe que já perde muito dentro do seu próprio grupo social.

O Paracetamona começará a ser vendido? Será que o Neosadiva será receitado para medicação de oito em oito horas? Ou, para os adeptos da medicina alternativa, alguns dias tomando chá de hibicha pela manhã ajude a reverter os sinais da doença. Ou talvez a gente devesse começar a tratar o preconceito e a homofobia, com diagnóstico e tratamento mais fáceis.

"Mas talvez a pessoa queira ajuda por não gostar de ter atração por pessoas do mesmo sexo, não acha?". As pessoas só se sentem desconfortáveis com sua orientação sexual porque a sociedade, de alguma maneira, mostra que isso não é o que ela espera de você.

É um retrocesso. Mas se no meio de toda essa confusão alguma notícia pode nos deixar um pouco mais animados é que o assunto não é aceito nem mesmo dentro dos próprios conselhos de psicologia e psiquiatria.

Afinal, todo o estudo de anos feito por médicos e psicólogos para que a homossexualidade não fosse entendida como uma patologia não pode ter sido em vão. Parafraseando Ana Suy, "se a homossexualidade é uma doença, a heterossexualidade também pode ser".

Me chateia ver que a orientação sexual e o gênero tenham se tornado critérios para discussões em todas as áreas, desde enredos de novela até participações em festivais de música. É deprimente ver que pessoas querem mostrar quem era mais gay ou menos gay na sua passagem pelo Rock in Rio. "Fulano era gay e não desafinava", "Sicrano só quer lacrar mas não canta nada", "Beltrano era mais importante pelo talento que pela sexualidade". E se, por um tempo, a gente apenas seguisse o fluxo?

Assim como um rio que, apesar de ter pedras, curvas e galhos em sua margem, consegue seguir o seu trajeto até um mar ou uma cachoeira, que tal se a gente passasse pelas pessoas deixando que elas fossem o rio que são?

Se para o rio Pabllo estar no palco do Rock in Rio foi um dos maiores momentos de sua vida e ele acha que é um marco a luta LGBT, que seja. Você não passou pelo percurso e seguiu até o seu destino ainda com força para se tornar o que é.

Sejamos cada um o seu próprio riacho, que aos poucos pode se fortalecer, crescer e acabar virando um enorme ribeirão. E, independentemente disso, um dia vamos todos para o mesmo mar. Neste mar não poderemos mais ter distinção.

Deixa os garotos brincarem. Segue o baile.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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