OPINIÃO

Babilônia, (quase) boa novela

31/08/2015 17:05 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Reprodução/TV Globo

"Babilônia, a Grande, a Mãe das Meretrizes e das abominações da Terra."

Apocalipse, capítulo 17. Babilônia é a falta de regras, é o caos. Mas, onde esteve esse caos na novela? Em um político corrupto? Em um relacionamento gay? Em um jogo de vinganças? Esperava mais.

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A região da Babilônia foi criada após o dilúvio e era algo como a rebelião do homem contra as vontades de Deus. Não à toa, criaram uma torre em Babel, a capital, que representou essa rebelião. Este nome não nos é estranho; Silvio de Abreu escreveu Torre de Babel e representou com muita maestria a ambição das personagens, as traições, a briga pelo poder e a disputa entre egos.

É difícil a gente acreditar que o mesmo autor de Vale Tudo se perdeu em uma novela que teria todos os componentes para deslanchar em audiência. Um elenco de renome, Adriana Esteves, Glória Pires, Fernanda Montenegro, Cassio Gabus Mendes, Bruno Gagliasso... Não foram suficientes para sustentar uma trama insustentável. Gilberto Braga podia, e devia, ter se arriscado mais.

Inicialmente a novela apresentava Sophie Charlotte, Camila Pitanga e Thiago Fragoso, mas o que se viu foram diferentes pilares para segurar essa barra. Os personagens Alice, Regina e Vinícius nem de longe conseguiriam prender a audiência e aos poucos novos personagens iam ganhando espaço para tentar reverter o difícil caminho que a novela seguia. Muitas personagens esquecíveis, muitas histórias desnecessárias.

Mas não foi uma novela apenas de coisas ruins. Arlete Salles, por exemplo, chamou pra si a responsabilidade de crescer com sua personagem, e com certeza lembraremos de Consuelo Pimenta por muito tempo. Emocionamos também com a bela história entre Teresa (Fernanda Montenegro) e seu filho, vivido pelo diretor Dennis Carvalho. Foi a vez de conhecermos a bela atuação de Chay Suede, Maíra Charken (a delegata) e Luisa Arraes que se superou no complicado núcleo evangélico.

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Babilônia quase conseguiu expor as dificuldades da causa LGBT, mas você não pode no meio de uma história, colocar um galã que se interessava por outros homens como o namorado da mocinha. Quando você se curva demais ao público, você fica de quatro pra ele.

Babilônia quase conseguiu expor a realidade das garotas de programa, se não fosse a necessidade de transformar a prostituta em boa moça.

Babilônia quase nos fez ficar ao lado de uma vilã novamente, se não fosse a pobreza na história que motivasse a briga entre Inês e Beatriz.

Babilônia quase nos fez gostar da mocinha, que por ser mocinha demais, criou uma distância enorme entre a personagem e a realidade.

Babilônia quase expôs um lindo relacionamento entre duas senhoras, se não fosse a "rejeição" (?) de uma parcela da sociedade às trocas de afeto entre Teresa e Estela.

Babilônia quase engrenou com belas histórias, mas faltava alguma coisa pra decolar. Talvez a gente não tenha, ainda, aprendido a voar (como diz Glória Perez).

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