OPINIÃO

A Maísa não precisa de quem a defenda

É necessário impor limites a atos constrangedores em nome do entretenimento.

03/07/2017 13:49 -03 | Atualizado 03/07/2017 13:49 -03
Reprodução/SBT
Em nova gravação com Dudu Camargo, Maisa chorou e saiu do estúdio durante o Programa Sílvio Santos.

Eu juro que queria muito começar este texto buscando os lados positivos em ser o Dudu Camargo, mas todo caminho que procuro é sempre uma rua sem saída. Engessado, forçado, uma mistura de jornalista com personagem. Não, ele não é artista. Ele é sem noção.

"Falem bem ou falem mal, mas falem de mim" é o lema que faz que o atual âncora de um dos principais telejornais do SBT figure entre um e outro programa de subcelebridade distribuindo selinhos, assediando mulheres e tentando provar a alguém a sua sexualidade.

O que aprendi com Dudu Camargo? Que não vale a pena estampar capas de revistas (digo, de blogs e portais, porque as revistas tem mais sobre o que falar) sendo um completo idiota. Que você não é preciso colocar ninguém em situação de constrangimento em busca de audiência ou apenas para fazer entretenimento. Quando você humilha alguém, só é entretenimento para você.

O que aprendi com Sílvio Santos? Que o limite, uma hora ou outra, precisa chegar. Que não importa o quanto você representa para a história da Televisão, ou o quanto você acha que pode brincar com alguém, seus deslizes mostram muito mais sobre o que você espera do outro. Expor ao constrangimento público uma garota de 15 anos por puro entretenimento é uma atitude de desespero, do mais total show de absurdos que a TV aberta pode vender.

O que aprendi com Sônia Abrão? Que Deus nos deu dois ouvidos e uma só boca pra gente ouvir mais do que falar.

O que aprendi com Maísa? Que não tem idade para se ensinar. Essa pequena notável cresceu na televisão, já cantou, dançou, atuou e apresentou programas de TV. Possui um talento natural para aquilo que o robô de 19 anos ainda almeja: o carisma. Maísa, a cada dia, mostra respeitar muito o seu local de trabalho e aqueles que estão acima dela. Mas, principalmente, ela respeita a si mesma.

Alguém precisa parar Dudu Camargo. Que seja a sociedade ou as pessoas que circulam em seu trabalho. Porque se depender do seu chefe, o show de horrores e de vergonha alheia vai durar enquanto continuarmos usando espaços para falar dele (como eu uso agora). É isso que ele quer. Talvez eu não devesse ter feito esta coluna. Ou talvez eu devesse ter feito sim.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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