OPINIÃO

O tempo é mais curto para o jovem da periferia

05/02/2014 17:27 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Para um jovem, a vida ainda não é baseada em experiências, e sim em experimentações. A diferença? Na primeira, o tempo já tratou de ensinar lições para as ações da juventude, refinando a moral, revisando caminhos, abrindo precedentes para o uso inteligente da vida. Na segunda, encontra-se a potência da juventude, o direito a fazer do início da vida adulta uma constante experimentação do novo, do inédito, do diferente.

Experimentação exige mobilidade e, ao mesmo passo, tempo. Contudo, para o jovem da periferia, o tempo é mais curto. Ganhar a vida é uma necessidade que bate à porta desse jovem antes dos jovens mais abastados, o que prejudica o processo de experimentação da vida. Experimentar a vida no mundo de hoje exige patrimônio que traga segurança e acesso à mobilidade e às redes da cidade.

Ao jovem de periferia sobra a necessidade de fazer renda, limando as experiência em prol da aceitação de algum trabalho de acesso rápido, pouco valorizado e de baixa remuneração, enquanto o jovem abastado possui segurança financeira para realizar mochilões pela Europa, fazer intercâmbios e, num cenário comum, a garantia de bons empregos por já estar inserido nas redes e relações privilegiadas de poder existentes na sociedade.

É preciso ações afirmativas que, num mesmo tempo, garantam a possibilidade de experimentação deste jovem da periferia, seja por meio do seu acesso à mobilidade na cidade, no diálogo dos interesses dele em relação às redes de poder e ampliação do repertório por meio de processos culturais. Assim, começaremos a abrir novos caminhos para a redução das desigualdades a partir do encontro desses jovens que, na experimentação, irão buscar novas formas de interação, incluindo a superação dos preconceitos. Essa é a verdadeira colaboração.