OPINIÃO

De quantas quedas se faz um governo Temer?

09/01/2017 14:40 BRST | Atualizado 09/01/2017 14:40 BRST
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Um governo trôpego, que mal sabe se manter em pé. Em quase oito meses, Michel Temer já perdeu seis ministros. E as gafes continuam minando a credibilidade da cúpula da Presidência da República.

A última vítima das próprias palavras, mal-escolhidas, foi o então secretário de Juventude, Bruno Júlio, jovem liderança do PMDB, protegido do presidente.

Em entrevista ao HuffPost Brasil e ao jornal O Globo, Bruno Júlio disse que deveria haver uma chacina por semana, como as rebeliões que mataram dezenas nos presídios do norte do País na semana passada.

"Tinha era que matar mais", afirmou, respondendo ao questionamento da repórter Grasielle Castro sobre o caos carcerário no Brasil.

Tentou depois desmentir o que falara à jornalista, mas o HuffPost Brasil publicou o áudio, e Bruno Júlio acabou perdendo o cargo.

Político escolado que é, Temer fez escolhas pragmáticas para o comando do Executivo. Queria agradar a caciques do seu partido e de outras siglas da base. Assim, teria uma base forte para aprovar seus projetos no Congresso.

Contudo, à medida que transcorre sua gestão, mais patente fica quantas escolhas dele foram ruins.

O simbolismo do ministério branco e masculino, que formou tão logo a ex-presidente Dilma Rousseff foi afastada pelo Senado, provou ser pior. Não eram apenas homens e brancos, mas também coronéis ou filhos de coronéis.

São os representantes da velha política que estão dando as cartas no País.

Aqueles que mandam na sua repartição como se fosse um terreno particular seu -- caso do ex-secretário de governo Geddel Vieira Lima.

Foi o coronel Geddel, imerso em seus pequenos (grandes) interesses pessoais, quem afugentou um quadro mais profissional e independente deste governo, o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero.

A composição de Temer prioriza suspeitos de corrupção ou afeitos ao patrimonialismo.

Ter esses tipos à frente do País, depois de uma ressaca provocada pelos anos de desapontamento do PT com seu mensalão e petrolão, é de sepultar o moral do brasileiro.

De quantas quedas se faz um governo Temer?

Quem será o próximo?

Eliseu Padilha, o chefe da Casa Civil, que teve bens bloqueados por degradação ambiental e foi citado na delação premiada da Odebrecht na Operação Lava Jato?

O presidente tem pouco tempo para ajudar o País minimamente a se levantar da crise iniciada sob Dilma.

Entretanto, a julgar por suas más companhias (e escolhas), vai passar os próximos meses apagando mais incêndios de seus ministros e secretários.

E é um desalento saber que as reformais estruturais que urgem em nosso País -- e que Temer tentará emplacar -- estão sendo tocadas por essa qualidade de políticos.

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