OPINIÃO

O pacto de sangue da alma mais honesta do Brasil

Por esta Lula, o Perseguido, não esperava. A delação de seu companheiro de primeiro mandato pode comprometer sua aspiração pelo terceiro.

07/09/2017 17:01 -03 | Atualizado 07/09/2017 19:51 -03
Reuters Photographer / Reuters
Antônio Palocci foi ministro da Fazenda e um dos homens fortes de Lula no 1º mandato. A foto é de 2005.

A alma mais honesta deste País está em pânico.

Lula, O Perseguido, foi surpreendido com o depoimento de um de seus maiores companheiros do Partido dos Trabalhadores.

Palocci, O Inteligente — que recusa o rótulo de santo — disse nesta quarta-feira (6) ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba, que o ex-presidente recebeu da Odebrecht um pacote de propinas, destinadas a ele e ao PT, no valor de R$ 300 milhões.

Que tiro, meu!

"Uma espécie de pacto de sangue" do empreiteiro Emílio Odebrecht com Lula, classificou o ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma Rousseff.

Segundo Antonio Palocci, o acerto envolvia também a compra de terreno para o Instituto Lula e um sítio para uso da família do petista.

Em troca, claro, Odebrecht queria sua empresa ganhando licitações da Petrobras e do governo, mesmo após a saída do amigo e a eleição de Dilma.

Era uma relação bastante intensa, bastante movida a vantagens dirigidas à empresa, a propina paga pela Odebrecht a agentes públicos em forma de doação de campanha, benefícios pessoais, caixa 1 e caixa 2.

No golpe derradeiro, Palocci confessou que ele e o ídolo de outrora tentaram atrapalhar os trabalhos da Operação Lava Jato, que desde 2014 investiga a corrupção endêmica no País.

Esta é apenas a segunda ação penal em que Lula é réu. Pela primeira, que envolve o tríplex do Guarujá, o ex-presidente foi condenado por Moro. Ele aguarda decisão da Justiça Federal em segunda instância para saber se conseguirá candidatar-se em 2018.

Entretanto, sua aspiração política, ainda defendida com unhas e muitos dentes pela esquerda utopista, sofreu um abalo severo com mais um petista — histórico — incriminando o ex-presidente.

Seis vezes réu, já condenado em primeira instância e agora "traído" por mais um grande aliado.

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