OPINIÃO

Eliza nunca sairá da prisão. Sem corpo, sem vida, sem justiça

STF manda soltar goleiro que tramou o assassinato da mãe de seu filho.

24/02/2017 10:17 -03 | Atualizado 24/02/2017 12:19 -03
Montagem/TJMG/Reprodução TV Globo
Segundo Justiça, Bruno foi mandante do assassinato de Eliza Samudio.

Foram 6 anos e 7 meses de cadeia.

O goleiro Bruno Fernandes, considerado pela Justiça o mandante do assassinato da ex-amante Eliza Samudio, em 2010, foi beneficiado por um habeas-corpus julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e deverá sair da prisão nesta sexta-feira (24).

Da prisão, sua vítima nunca saiu.

No auge da fama, o jogador de futebol sequestrou, matou e escondeu o corpo da mãe de seu filho. Essa foi a compreensão do júri popular que o condenou.

Até hoje, o corpo de Eliza não foi encontrado.

Bruno roubou a dignidade da vida e mesmo da morte de uma mulher que quis silenciar. E silenciou.

O goleiro utilizou seu poder, dinheiro e influência para cometer crimes contra Eliza e o filho, também alvo de sequestro e cárcere privado.

Eliza tentava provar que Bruninho era fruto da relação dos dois. E queria pensão para o filho.

Bruno nunca confessou o assassinato. Pelo contrário, jogou a culpa sobre Macarrão, seu ex-companheiro de todas as horas.

Em 2013, foi condenado a 17 anos de 6 meses em regime fechado por homicídio triplamente qualificado. No total, a pena foi de 22 anos e 3 meses.

Tivesse cometido esse crime hoje, haveria um agravante a mais: o feminicídio.

Agora, o STF manda soltar Bruno até sair o resultado dos recursos à condenação no âmbito do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Da prisão, Eliza talvez nunca sairá. Mas seu assassino, sim, tem direito à liberdade.

É como a Justiça brasileira entende. É como a realidade se apresenta para nós.

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