OPINIÃO

Como a condenação de Lula afeta seu sonho por um 3º mandato presidencial

Se decisão do juiz Sérgio Moro for mantida em segunda instância, o ex-presidente ficará inelegível.

12/07/2017 18:36 -03 | Atualizado 12/07/2017 19:13 -03
Ueslei Marcelino / Reuters
Lula foi proibido por Moro de exercer função pública, mas seu futuro depende de tribunal.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está vendo desvanecer seu sonho de emplacar um terceiro mandato presidencial e devolver ao Partido dos Trabalhadores o comando do Planalto.

A condenação do petista a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em primeira instância, publicada nesta quarta-feira (12), não o impede de se candidatar em 2018. Mas, se a decisão do juiz Sérgio Moro for validada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), ele ficará inelegível por causa da Lei da Ficha Limpa.

Líder das pesquisas eleitorais, Lula sabe que não tem a seu favor o tempo para conseguir foro privilegiado de presidente da República e assim estar imune à Operação Lava Jato, que investiga a maior rede de corrupção da História do Brasil. Já foram presas dezenas de grandes empresários, políticos de diversas colorações partidárias, lobistas e doleiros.

A decisão de Moro livrou Lula da cadeia, mas trouxe um agravante para o julgamento pelos desambargadores do TRF4. Pelo crime de lavagem de dinheiro, Moro determinou que Lula fique mais de 18 anos sem exercer cargo público.

O magistrado baseou a "interdição" política de Lula na lei sobre crimes de lavagem e ocultação de bens e valores, de 1988.

Como cabe recurso, essa medida ainda não tem efeito.

A defesa do petista, porém, está suando frio porque o TRF4 não só tem mantido a maioria das decisões de Moro como também tem aumentado as penas dos condenados.

A expectativa para esse segundo e decisivo julgamento é de no mínimo seis meses -- prazo suficiente para melar a claudicante esperança de Lula e seus discípulos.

A estrela maior do PT é considerada pelo MPF (Ministério Público Federal) o "comandante máximo" da corrupção descoberta pela Lava Jato.

Para a Justiça, ele recebeu R$ 3,7 milhões de propina da construtora OAS. O repasse ocorreu em troca de favorecimento da empreiteira em contratos milionários com a Petrobras.

A OAS bancou reforma e decoração de um tríplex para Lula no Guarujá, litoral sul de São Paulo. Além dele, foram condenados os executivos da OAS Leo Pinheiro e Agenor Franklin.

Lideranças petistas já começaram a conclamar a população para as ruas contra a "perseguição" de Moro empreendida contra Lula.

Segundo o PT, a condenação é uma "medida equivocada, arbitrária e absolutamente ilegal" fundamentada em convicções em vez de provas.

O discurso de vitimização do ex-presidente se encaixa na narrativa de golpe difundida sobre o impeachment sofrido pela ex-presidente Dilma Rousseff, criatura e sucessora de Lula, afastada desde maio do ano passado.

Desde 2015, o lamaçal político está cada vez mais profundo no Brasil.

Além do ex-presidente Lula condenado e da ex-presidente Dilma impedida por crime de responsabilidade fiscal, o atual presidente Michel Temer é acusado de corrupção e pode ser apeado do cargo nas próximas semanas.

É uma crise ética sem precedentes com um desfecho imprevisível -- para os políticos e para o Brasil.

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