OPINIÃO

Acabou, Temer

Delação de donos da JBS atinge o presidente da República, que poderá ser alvo de processo de impeachment.

17/05/2017 21:48 -03 | Atualizado 18/05/2017 00:15 -03
Nacho Doce / Reuters
Gravação de conversa de Michel Temer pode custar mandato dele.

O Brasil pode ter um terceiro presidente da República em um prazo de pouco mais de um ano.

O site do jornal O Globo trouxe mais uma explosiva revelação da Operação Lava Jato atingindo em cheio Michel Temer. Segundo o colunista Lauro Jardim, o peemedebista incentivou pagamento da JBS pelo silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Na semana passada, os donos da JBS, Joesley Batista e o irmão Wesley, levaram ao STF (Supremo Tribunal Federal) gravações de conversa com Temer.

Em um dos diálogos incriminadores, Batista diz que paga uma mesada para Cunha e Lúcio Funaro, operador dele em esquema de corrupção, para permanecerem calados. Temer foi gravado consentindo: "Tem que manter isso, viu?".

Em outra conversa gravada, Temer indica a Joesley procurar o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-RJ) para resolver problemas da JBS. De acordo com Lauro Jardim, a Polícia Federal filmou Rocha Loures recebendo propina de R$ 500 mil de Ricardo Saud, diretor da JBS.

Essa delação precisa ser homologada pelo relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, para ser considerada uma prova legal. Mas essas "ações controladas" foram feitas por Polícia Federal em articulação com Procuradoria-Geral da República. Têm, portanto, "lastro" institucional e legal.

Na Câmara, O deputado federal Alessandro Molon (Rede/RJ), já apresentou pedido de impeachment. Argumenta que houve crime de responsabilidade, improbidade e postura incompatível com o cargo.

Além disso, a possibilidade de cassação da chapa de Dilma Rousseff e Temer, marcada para o dia 6 de junho no Tribunal Superior Eleitoral, ganha força política.

Com aprovação de apenas 10% dos brasileiros, o presidente estremece desde sempre na popularidade, na legitimidade -- posta em xeque pelos defensores de que o impeachment de Dilma foi golpe -- e agora na legalidade de seu exercício, já que pode ser formalmente acusado de obstrução de Justiça.

O governo Temer já começou cambaleante, com vários ministros caindo ora por suspeitas da Lava Jato ora por conflitos de interesse.

As reformas da Previdência e trabalhista, ainda que necessárias para a sanidade fiscal do País, custaram a aprovação já minguada do presidente.

Apesar da perspectiva de recuperação da economia, o número de desempregados é recorde: mais de 14 milhões estão nas ruas.

O cenário está assim posto para mais uma queda presidencial.

A Temer restam três saídas: perder o mandato pelo Congresso, ser expulso do Planalto pela cassação no TSE ou renunciar.

Qual será a decisão do iminente ex-presidente?

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