OPINIÃO

Acabou, Dilma! O coração precisa ser valente para aceitar o fim

17/04/2016 23:49 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
REUTERS/Adriano Machado

Um festival de cargos e promessas foi organizado pelo Palácio do Planalto e pelo PT para garantir os 172 votos necessários contra o impeachment de Dilma Rousseff.

O ex-presidente e ministro interrompido Luiz Inácio Lula da Silva e até mesmo a presidente, pouco afeita a articulações políticas, lideraram o movimento de atração de (ex-)aliados, líderes, dissidentes.

Porém, não teve jeito; a Câmara dos Deputados aprovou o impedimento da petista por 367 votos favoráveis, 137 contrários e 7 abstenções.

Essa total falta de traquejo político para manter minimamente uma base de apoio e para garantir votações importantes para o País é a sentença de morte do governo Dilma.

Não apenas pela acusação de crime de responsabilidade -- as pedaladas fiscais, as maquiagens contábeis e os desarranjos das contas públicas, sem respeitar a legalidade.

Esse foi o objeto do julgamento da Câmara, mas é só a cereja do bolo recheado de erros de Dilma.

A reputação de "gerentona", colada nela por Lula, que a fez mãe do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), caiu completamente por terra.

Dilma não conseguiu fazer o País crescer. Pelo contrário, as suas escolhas na política econômica levaram a uma das maiores recessões do País

O desemprego crescente e o menor poder de compra dos brasileiros, afetados pela maior inflação anual desde 2002, alimentaram a insatisfação popular nos últimos meses.

A presidente foi alvo do maior protesto já organizado da História do Brasil, em 13 de março, quando 3,5 milhões de pessoas foram às ruas.

À medida que o impeachment avançava na Câmara, mesmo sob o comando de um igualmente rejeitado Eduardo Cunha, Dilma não conseguiu frear o processo.

Paulatinamente partidos aliados foram abandonando o barco petista. PMDB, PP, até o PSD de seu aliado para todas as horas, ex-ministro Gilberto Kassab.

A coalizão que permitiu a reeleição de Dilma em 2014 se desfez.

Assim, como o Brasil dos sonhos, mostrado na propaganda de dois anos atrás, se revelou.

E ele é bem pior que as cenas que o marqueteiro João Santana, hoje preso, mostrava na televisão.

Dilma atingiu o paroxismo de uma política insustentável, empurrou a economia ladeira abaixo e se deparou com uma rejeição cada vez maior nas ruas, com panelaços, patos e pixulecos.

A paralisia do País ainda é intensificada com a Operação Lava Jato, que desvelou um esquema bilionário de corrupção na Petrobras.

Embora Dilma não seja citada nas investigações, seu partido é considerado, ao lado de PP e PMDB, um dos principais beneficiários do engenhoso propinoduto que drenou dinheiro público para cofres de petistas, pepistas e peemedebistas.

A tempestade perfeita dos fatores políticos e econômicos, associados à popularidade cambaleante, indica que o caminho inevitável é a queda da presidente.

O coração valente, que outrora encantou os eleitores com muita cosmética de TV, está batendo hoje mais combalido.

Mas pode manter sua cadência e honrar sua história, se a presidente aceitar que chegou ao fim.

"Carta fora do baralho", como ela própria havia atestado na semana passada em caso de derrota.

Não há mais condições de governar o Brasil, Dilma.

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