OPINIÃO

A morte de Sofia e as 18 balas perdidas que mataram crianças no Rio em 2 anos

23/01/2017 11:44 -02 | Atualizado 23/01/2017 11:44 -02
Montagem/Reprodução/Facebook

Aconteceu de novo. Mais uma criança morreu no Rio de Janeiro após ser atingida por uma bala perdida.

Sofia Lara Braga Fernandes tinha 2 anos e 7 meses.

Era noite de sábado, quando as famílias com filho pequeno vão passear. Vão celebrar a união, descansar dos pesos da semana.

Sofia estava feliz ao lado de sua mãe, seu pai e os avós paternos. Com outras crianças, divertia-se no pátio do Habib's de Irajá, na zona norte do Rio.

Sofia brincava enquanto uma perseguição policial ocorria nas proximidades.

A troca de tiros na Avenida Monsenhor Félix ocorria entre policiais militares e o suspeito Thiago Rodrigues dos Santos, que carregava uma pistola e não parou a pick-up que dirigia após ordem dos PMs.

Uma das balas atingiu Sofia e interrompeu a vida dela.

A menina foi a 18ª criança vítima de bala perdida desde 2015, de acordo com levantamento da ONG Rio de Paz.

Uma investigação vai apontar de onde partiu o tiro que matou a menina.

Mais que de bala perdida, Sofia foi vítima da violência urbana.

Foi vítima de um Estado que é refém da criminalidade. E que não consegue trabalhar para preveni-la ou combatê-la de maneira efetiva e dentro da lei.

Foi vítima de um Estado que não prepara adequadamente seus agentes de segurança.

Foi vítima de um endividado e caótico Rio de Janeiro que não consegue assegurar o mínimo à sua população.

Um Rio de Janeiro que não permitiu que Sofia, ou qualquer outra das 17 crianças mortas por bala perdida, voltasse para casa após sair com a família.

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