OPINIÃO

A eterna troca de farpas entre FHC e Lula, homens fortes dos presidenciáveis de 2014

16/07/2014 17:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02
Montagem/Estadão Conteúdo

Neste início de campanha eleitoral, os dois ex-presidentes reeleitos do Brasil mostram que já estão atuando como forças centrais no duelo presidencial.

Tanto na convenção do PT quanto do PSDB, o gesto foi semelhante. Fernando Henrique Cardoso deu as mãos a Aécio Neves. Luiz Inácio Lula da Silva também entrelaçou os braços aos de Dilma Rousseff.

FHC, que encerrou o segundo mandato com maior reprovação que aprovação, foi escanteado pelo próprio partido nas últimas campanhas - duas de José Serra (2002 e 2010) e a de Geraldo Alckmin (2006).

Mestre na arte retórica, Lula colou no tucano a imagem de elitista que quis vender o Brasil para a iniciativa privada.

Durante oito anos, o presidente petista disparava constante artilharia contra FHC, sem fazer referências à estabilidade econômica do Brasil, conquistada durante o primeiro mandato do tucano.

Coube à Dilma, em seu primeiro ano de gestão, reconhecer o legado do ex-presidente. Em carta divulgada por ocasião dos 80 anos de FHC, ela se referiu ao tucano como "político habilidoso", "arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação [Plano Real]" e "presidente que contribuiu decisivamente para consolidar a estabilidade econômica" do País.

'Por que não nos juntamos?'

Faz parte da estratégia política da persona Lula ignorar as qualidades de seu maior adversário, que o derrotou duas vezes nas eleições de 1994 e 1998.

Mas FHC está comprando a briga do pupilo Aécio por votos e busca provocar Lula e mostrar as contradições dele ao eleitorado. Para isso, escreveu o artigo O Brasil se cansou de ataques infundados, publicado no site Observatório Político.

"Lula insiste em dizer que houve corrupção 'escondida' no meu governo", afirma FHC. "Tem sido assim há anos, desde quando estourou o escândalo do mensalão."

Uma das teclas nas quais o petista sempre bate é a acusação de compra de votos da reeleição no Congresso, em 1996.

"Vi o ex-presidente falar com a maior desfaçatez 'é preciso acabar com a corrupção'. Ele devia dizer quem é que estabeleceu promiscuidade entre Executivo e Congresso Nacional quando ele começou a comprar voto para ser aprovada a reeleição em 1996", acusou o petista em junho.

fhc

No texto postado nesta semana, o tucano tenta desconstruir todas as acusações imputadas a ele por Lula em declarações recentes.

"Para se defender, Lula ataca. Jamais se explica, sempre acusa", desferiu o tucano. "Acostumado a atirar pedras, Lula é incapaz da autocrítica. Quando deveria, de forma rigorosa, abominar a prática da corrupção, ele tenta distrair a opinião pública, jogando culpa nos outros."

Após argumentar que não houve provas das denúncias de Lula, FHC renova a proposta que diz ter feito a Lula durante a viagem a África do Sul para o funeral de Nelson Mandela. "Por que não nos juntamos para corrigir o que de malfeito há na vida política brasileira, em vez de jogar pedras uns nos outros?", propôs.

A resposta de Lula veio hoje (16), ao ser abordado por jornalistas sobre as críticas e a proposta de FHC.

"Eu não leio Fernando Henrique Cardoso", ironizou.

Se o "confronto franco e respeitoso", aludido por Dilma, continuar preterido pelos ataques de ambos os lados, como acreditar que esta campanha será vitoriosa para a democracia brasileira?

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