OPINIÃO

3 anos do Huffington Post no Brasil: Autocrítica e Nova Temporada

28/01/2017 08:13 -02 | Atualizado 31/01/2017 22:01 -02
Hallgerd via Getty Images
Plenty of colorful balloons on a white background

O HuffPost Brasil comemora 3 anos neste sábado, 28 de janeiro.

Em dia de festa, são nossos leitores que ganham o presente.

Um novo site vem por aí. Desde a mudança do nosso nome, em novembro de 2015, muita gente questiona se somos Brasil Post ou HuffPost.

Nossa nova -- e definitiva -- URL será http://www.huffpostbrasil.com a partir de quarta-feira, 1º de fevereiro.

Já já vocês poderão atualizar browser e favoritos com o novo endereço.

Nosso nome, com a marca The Huffington Post, se consolidou e merece estar em todas as nossas -- e suas -- páginas.

Além disso, o site vai ganhar um novo layout também do dia 1º em diante.

O visual ficará mais atraente e a navegação, mais fácil e intuitiva -- tanto para os usuários de mobile quanto de desktop.

As novidades deste 2017 também ensejam um aprimoramento editorial.

O ano passado foi marcado por notícias que acabaram passando ao largo da cobertura da imprensa ocidental como um todo. A vitória de Donald Trump nos Estados Unidos e do Brexit na Inglaterra e a derrota do "sim" à primeira versão do acordo de paz entre o governo da Colômbia e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) são alguns dos fatos que nos exigem revitalizar o jornalismo.

Muitas vezes os jornalistas olhamos para a realidade mais como gostaríamos que ela fosse do como ela realmente (sic) é.

2016 nos ensinou que precisamos investigar mais, ir aonde as pessoas estão, as minorias e as maiorias, que também estão silenciosas, que não se sentem representadas pela imprensa, no Brasil ou em qualquer parte do mundo.

Foram essas maiorias silenciosas, ou simplesmente invisíveis para a mídia no dia a dia, que fizeram a diferença para eleger Trump ou tirar a Inglaterra da União Europeia.

Por isso, cabe aqui reforçar qual é o nosso papel como jornal e site de notícias e opinião. Em tempos de polarização política, seja no Brasil, nos Estados Unidos, aqui e acolá, precisamos ouvir todas as vozes que compõem a esfera pública (e as múltiplas esferas privadas).

O debate construtivo só se dá com a pluralidade de ideias. Esquerda, direita, progressistas, conservadores, liberais, humanistas, centro-direita, centro-esquerda.

O HuffPost Brasil precisa abrir cada vez mais espaço para as opiniões diferentes. Que sejam escritas e defendidas com respeito, é claro. Mas, para fortalecer a nossa democracia, precisamos todos aprender a respeitar a opinião do outro, inclusive quando for diferente de nossa.

Esse tem que ser o nosso compromisso mais claro com os leitores brasileiros. O diálogo no País está interditado. E, como um jornal, é nosso dever mínimo, básico, tentar atar as pontas, para que mais conversas entre os diferentes ocorram.

O conhecimento se constrói a partir da dialética, como defendiam os filósofos desde a Grécia. Para que uma reflexão mais profunda seja possível, é necessário conhecer todos os lados da moeda, todas as nuances que marcam fatos e pessoas.

E é o jornalismo que deve apresentar esses lados todos, sobretudo num momento em que brasileiros dão unfollow nos que pensam diferente deles ou até cortam amizades porque fulano ou sicrano discordam deles.

Essa autocrítica é importante para calibrarmos nossa cobertura em 2017 e darmos as boas-vindas à editoria Vozes, que além de incluir Opinião (os textos de nossos mais de 1.000 blogueiros brasileiros) vai trazer histórias diversas sobre brasileiros que estão, do seu jeito e com suas crenças, buscando um País melhor.

O HuffPost Brasil também manterá a cobertura que faz de Mulheres e LGBT, com foco no seu protagonismo e nas batalhas do cotidiano.

A seção Notícias trará informações do País e cada vez mais da América Latina.

A editoria Comportamento, uma de nossas mais lidas, será retomada, incorporando Equilíbrio, onde discutimos emoções e saúde mental.

Com essas mudanças, acredito que estamos prontos para realizar um jornalismo mais prudente e mais conectado à realidade de 2017.

Um exercício de humildade e empatia para nós, jornalistas, como defende nossa nova editora-chefe global, Lydia Polgreen.

Que comece a nova temporada!

LEIA MAIS:

- De quantas quedas se faz um governo Temer?

- Esquerda é a maior derrotada das eleições municipais de 2016

O adeus de Obama e a posse de Trump