OPINIÃO

Alô startups, é oficial: o investidor gringo está abandonando o Brasil

19/03/2014 13:41 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Alguns dias atrás me deparei com esta entrevista com o Pedro Melzer, da eBricks Digital, no jornal Brasil Econômico. Na entrevista, ele afirma que "Aquela euforia de três anos atrás do investidor estrangeiro já passou".

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Sou fundador de uma startup de marketing de conteúdo, possuímos investidores nacionais e internacionais (entre eles a própria eBricks) e pretendemos captar investimentos em breve, logo estes artigos me deixam atento e preocupado.

Como bom curioso que sou, resolvi dar uma olhada em alguns dados, que coletei junto ao amigo Luciano Tavares nos últimos anos, sobre investimentos em venture capital no Brasil. No início, criamos uma planilha que catalogava todos os investimentos em startups, mas a medida que os dados foram crescendo, acabamos criando uma aplicação web de código livre chamada Dealbook Brasil visando tornar estes dados acessíveis para empreendedores e investidores do Brasil e do mundo. Se você quiser entender um pouco mais da dinâmica do mercado de capital de risco e startups brasileiro, recomendo que dê uma olhada. É totalmente grátis e os dados são coletados de forma colaborativa, com centenas de empreendedores e investidores compilando informações sobre seus respectivos negócios e investimentos.

Uma olhada breve nos investimentos de VC no Brasil de 2010-2014

Para tentar entender o comportamento do investidor internacional em relação às startups brasileiras, primeiramente compilei o número de investimentos adicionados através de crowdsourcing no Dealbook para ter uma noção do movimento do mercado.

Total de investimentos de venture capital/capital semente por ano:

2010 - 17 investimentos

2011 - 47 investimentos

2012 - 78 investimentos

2013 - 55 investimentos

2014 (até fevereiro) - 7 investimentos

Em seguida, separei destes investimentos, quantos tem a participação de um fundo internacional:

Total de investimentos de venture capital/capital semente por ano com participações de investidores gringos:

2010 - 6 investimentos

2011 - 20 investimentos

2012 - 43 investimentos

2013 - 23 investimentos

2014 (até fevereiro) - 2 investimentos

Depois, calculei em quantos porcento dos investimentos, temos um investidor gringo, por ano:

Participação de gringos em investimentos em startups brasileiras

2010 - 35.2%

2011 - 42.5%

2012 - 55.1%

2013 - 41.8%

2014 (até fevereiro) - 28.5%

E a conclusão é?

O Investidor internacional começou a olhar mais fortemente para o Brasil em 2011, e 2012 foi o ano em que houve a maior participação internacional nos investimentos locais. Mas como o Pedro mesmo afirma, fica claro que a empolgação em relação ao mercado nacional está em queda, assim como o volume de investimentos. A amostragem do Dealbook é pequena e ainda não temos dados conclusivos sobre 2014, mas fica claro que se você empreendedor, assim como eu, está planejando captar recursos para sua startup, vale a pena entender o momento do mercado. Você vai ter que se planejar para ter um pouco mais de esforço para convencer investidores internacionais a trazer seus recursos para o Brasil.