OPINIÃO

Você precisa conhecer a parceria libertária de Ney Matogrosso e Helena Ignez no cinema

29/10/2015 21:01 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

2015-10-29-1446130444-9070547-NeyMatogrosso_HelenaIgnezRalFotoAlineArruda_AgnciaFoto.jpg Foto: Aline Arruda/Agência Foto

Todo fim de tarde na Mostra de Cinema, uma sessão é substituída por um bate-papo entre público e um nome ligado à sétima arte (veja a programação aqui). Em um desses encontros, um dos ícones da cultura brasileira, Ney Matogrosso, deixou o cantor um pouco de lado para falar sobre sua paixão pelo cinema.

Foi possível conhecer o cinéfilo que tem Blade Runner como filme preferido, é fã do diretor italiano Pasolini e das chanchadas brasileiras. Quando jovem, ele e seus amigos matavam aula para ver as produções francesas e com ajuda de um porteiro todos entravam nas sessões proibidas para menores.

Tudo isso influenciou em sua experiência como ator, iniciada em 1987 em Sonho de Valsa, algo que não o agradou tanto: "quando vi, achei que no fundo dos meus olhos tinha um susto, era como se eu estivesse sempre alerta". Hoje, atuar se tornou um prazer: "eu adoro e quero fazer sempre cinema. Eu posso estar com 100 anos atuando".

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Na Mostra de Cinema está em cartaz Ralé, sua mais nova parceria com a diretora Helena Ignez. Em 2010, eles trabalharam juntos em Luz nas trevas - A volta do bandido da LuzVermelha, quando Ney fez o próprio bandido da luz vermelha.

Agora, ele é Barão, um aristocrata, fundador de uma seita que realiza rituais com a ayahuasca e está prestes a casar com um dançarino. A história é inspirada na peça homônima do russo Máximo Gorki. No elenco ainda estão Simone Spoladore, Djin Sganzerla e os diretores de teatro Zé Celso Martinez Corrêa e Mário Bortolotto.

Ralé não tem uma linearidade definida, não é esta a ideia. Espere uma fragmentação de cenas e ideias em temas como feminismo, casamento gay, São Paulo, Minhocão, Espaço dos Parlapatões, Amazônia, Thiago Pethit, família, casamento, amor, natureza, Ganesha, Luiz Gonzaga, Bertold Brech, ayahuasca, Copacabana Mon Amour, entre outros.

Diversos momentos são críticos ao conservadorismo da sociedade brasileira. Em especial as cenas de beijos e abraços do Barão com seu filho, inspirada no caso do pai espancado apenas por estar abraçando seu filho na rua. "Se o pai não pode fazer isso com o filho, que loucura de mundo é esse que nós vivemos? O que significa isso? Um retrocesso mental, espiritual?", questiona Ney.

A diretora afirmou que o filme "é uma sessão da tarde de um mundo melhor, como deveria ser, com todos felizes, livres, exercendo suas possibilidades de amor". Por tudo isso, é uma experiência imperdível.

Ralé terá mais duas exibições na Mostra de Cinema, nesta sexta-feira, no MIS e sábado, no Shopping Frei Caneca. O longa tem previsão de estrear nas salas de cinema em abril de 2016.

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