OPINIÃO

Todo adolescente vai amar os filmes 'Mate-Me Por Favor' e 'Califórnia'

03/11/2015 18:18 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

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Vi dois filmes na Mostra de Cinema de São Paulo criativos e com olhar pouco convencional para o universo adolescente brasileiro: Mate-Me Por Favor, da cineasta carioca Anita Rocha da Silveira e Califórnia, da paulista Marina Person.

Coincidentemente, ambos têm o olhar de uma protagonista mulher para os problemas pelos quais todo adolescente precisa passar: conflitos familiares, amizades, primeiras transas e traições, drogas e homossexualidade, entre outros.

Direto dos anos 1980, Califórnia mostra Estela, a Teca, em sua vida de estudante paulistana e fã do rock. Ela acabou de menstruar pela primeira vez, não desgruda de suas melhores amigas de colégio e sonha em viver o american way of life em uma viagem para os EUA.

Teca abriu mão de sua festa de aniversário de 15 anos para passar um mês nos EUA ao lado de seu tio Carlos, um jornalista que vive na Califórnia e tem a vida mais interessante do mundo. Enquanto isso não acontece, passa tarde inteiras escrevendo cartas a ele e gravando fitas onde narra suas confissões.

Retrato de seu tempo, o grande conflito da história é a repentina chegada de Carlos de volta ao Brasil para tratar da AIDS, até então uma doença desconhecida e cheia de mistérios. Um dos pontos fortes do filme é a trilha sonora com Titãs, Kid Abelha, Joy Division, The Cure e David Bowie em muitas festas e mixtapes gravadas com as antigas fitas k-7.

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Voltando ao século XXI, Mate-me Por Favor tem como personagem principal Bia, sua rotina de classe média carioca e a vida na escola com seu inseparável grupo de amigas. Elas vivem em uma Barra da Tijuca diferente do que estamos acostumados a ver, aqui o bairro é sombrio e palco para uma matança promovida por um misterioso serial killer.

A morte é a grande quebra na tediante rotina adolescente, deixando os personagens fascinados por seus mistérios. Bia procura os perfis dos mortos no Facebook, passa suas tardes em busca de novos corpos e ao encontrar uma mulher agonizando com seus últimos segundos de vida a beija na boca.

Temas da atual realidade carioca estão presentes como a especulação imobiliária e a presença massiva das igrejas evangélicas no cotidiano. O funk carioca norteia a trilha sonora, com destaque para o clássico Nosso Sonho, de Claudinho e Buchecha.

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Embora os dois filmes estejam em tempos diferentes, impressiona como seus personagens são universais, vivem histórias parecidas ou iguais. Chamo a atenção para um ponto importante, a forma como os jovens aceitam a homossexualidade.

Em Califórnia, Teca questiona a sexualidade de JM, aluno novo de sua escola: "todo mundo na escola acha que você gosta de garotos". Ela ouve a ótima resposta: "Digamos que eu não chutaria o Mick Jagger da minha cama". Enquanto isso, por mais que o conservadorismo da igreja esteja muito presente na vida carioca, casais de homossexuais não são vistos como um problema em Mate-me Por Favor.

Os filmes têm ótima direção, roteiros criativos, envolventes e merecem ser vistos por jovens e adultos de todas as idades. Califórnia entra em cartaz no próximo dia 3 de dezembro, enquanto Mate-Me Por Favor ainda não tem data oficial para estrear, mas está sendo exibido em alguns festivais, acompanhe mais informações na página do filme no Facebook.

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