OPINIÃO

Como a reforma da previdência pode prejudicar as mulheres

Segundo eles, mulheres vivem mais e, assim, recebem o benefício por mais tempo. E qual é o problema nessa suposta "equidade"?

15/03/2017 09:44 BRT | Atualizado 15/03/2017 11:07 BRT
Gutzemberg
Segundo o IBGE, mulheres brasileiras trabalham 55 horas por semana, incluindo os afazeres domésticos.

A Previdência Social defende que mulheres e homens se aposentem com a mesma idade. O argumento principal é equilibrar as contas da Previdência. Segundo eles, mulheres vivem mais e, assim, recebem o benefício por mais tempo. E qual é o problema nessa suposta "equidade"? O problema é claro: a rotina de homens e mulheres é completamente diferente.

Quanto tempo ambos gastam com tarefas domésticas?

Homens: 1,5 horas

Mulheres: 3,8 horas

Quanto tempo homens e mulheres com filhos gastam com tarefas domésticas?

Homens: 1h 30min

Mulheres: 4h 12min

Quanto tempo homens e mulheresem situação de extrema pobreza gastam com tarefas domésticas?

Homens: 1h 45min

Mulheres: 4h 32min

Segundo o IBGE, mulheres brasileiras trabalham 55 horas por semana, incluindo os afazeres domésticos. Por outro lado, homens trabalham 50,5 horas. Sendo assim, podemos dizer que mulheres trabalham mais que homens e precisam de um reparo justo na hora de aposentar. Enquanto não houver divisão do trabalho doméstico e cuidados com os filhos, mulheres precisarão dessa reparação.

Mulheres são as principais cuidadoras dos filhos. Mulheres ganham menos que homens mesmo tendo o mesmo cargo. Mulheres são demitidas quando voltam da licença maternidade. Mulheres são as principais responsáveis pelas tarefas domésticas. Na separação, mulheres ficam com os filhos e acabam aceitando qualquer trabalho independentemente da remuneração porque passam a ser responsáveis pela renda familiar. Mulheres ocupam 93% dos cargos de empregadas domésticas, profissão que passou a ter seus direitos reconhecidos há pouqíssimo tempo.

Mulheres tornam-se cada vez mais vulneráveis ao passar do tempo: aos 60 anos, apenas 10% das mulheres estão em um emprego formal. É por isso que hoje iremos parar. Esta reforma é uma afronta aos direitos trabalhistas, aos direitos das mulheres, à qualidade de vida das pessoas.

Nenhum direito a menos!

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública.

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